Eficiência Energética
Em tempos em que o aquecimento global e as mudanças climáticas são motivo de preocupação no mundo, a melhoria da eficiência energética é a solução mais econômica, eficaz e rápida para minimizar impactos ambientais acarretados pela utilização da energia e reduzir emissões de dióxido de carbono (CO2). Ainda mais, para organizações em expansão. Ciente disso, a Petrobras, maior produtora e maior consumidora de energia do Brasil, faz sua parte. Discutiu o tema internamente, em maio, no Seminário Internacional Petrobras de Eficiência Energética 2008, realizado no Rio de Janeiro com a presença de representantes da ONU, do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) e da União Européia como palestrantes convidados, e implementa projetos e medidas nesse âmbito. A idéia é crescer mais, o que implica maior consumo de energia, mas tornar esse consumo eficiente, reduzindo desperdícios e perdas para o meio ambiente, e tornar os negócios da Petrobras cada vez mais sustentáveis.
A eficiência energética é uma solução econômica, eficaz e rápida para mitigar mudanças climáticas
A melhoria da eficiência energética traz, ainda, outras vantagens. Poupa recursos naturais, como o petróleo e o gás. Diminui custos de produção. Possibilita a produção de bens cada vez mais baratos e competitivos. Melhora o desempenho econômico de empresas. Reduz a necessidade de se investir em infra-estrutura e energia, pois é mais barato conservar do que gerar energia. Garante mais verba para ser destinada a outros fins. Além disso, assegura o retorno do investimento realizado, já que o montante é recuperado ao longo da vida útil de equipamentos, por conta da economia de energia ocorrida. “Nesse contexto, considerando que, no mundo, hoje, 86% da energia consumida têm origem fóssil e nãorenovável, melhorar a eficiência energética significa, ainda, poupar recursos para as próximas gerações”, destaca o gerente executivo de Desenvolvimento Energético da Petrobras, Mozart Schmitt de Queiroz.
Eficiência nas diretrizes
No esforço em prol da eficiência energética, o Projeto Estratégico Mudança Climática, coordenado pela gerente geral de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Petrobras, Beatriz Espinosa, tem um importante papel no âmbito da governança. “O projeto estabelece que a mitigação das mudanças climáticas deve ser inerente ao negócio da Petrobras e a seus preceitos de desenvolvimento sustentável. Assim, por intermédio do projeto, incorporado ao Planejamento Estratégico 2020 da Companhia, a Petrobras estabelece indicadores, metas e políticas relacionados a suas emissões de CO2 e à eficiência energética e implementa programas de redução de queima de gás em flares, eficiência energética em processos e produtos e desenvolvimento de novas tecnologias para otimizar o uso de energia. Com isso, é possível obter ganhos econômicos, energéticos e ambientais e garantir energia para o futuro”, diz Beatriz.
Eficiência em programas e projetos
O Programa Tecnológico para a Mitigação de Mudanças Climáticas (Proclima), coordenado pelo centro de pesquisas e desenvolvimento da Petrobras, o Cenpes, é outra iniciativa da Companhia que presta contribuição à causa da eficiência energética. “Nossos focos são quatro: seqüestro de carbono; eficiência energética; avaliação do desempenho ambiental de produtos da Petrobras ao longo de seu ciclo de vida no que se refere a emissões de gases de efeito estufa; e desenvolvimento de tecnologias e modelos para avaliação dos impactos das mudanças climáticas nos negócios da Companhia, das vulnerabilidades desses negócios e das necessidades de adaptação. No âmbito da eficiência energética, nosso principal objetivo é desenvolver tecnologias que possibilitem a avaliação e o controle, em tempo real, da qualidade da energia gerada e das perdas em todas as unidades da Petrobras. A princípio, o projeto contempla as usinas termelétricas da Companhia, sendo prevista a extensão às refinarias e plataformas. Atualmente, está em andamento um projetopiloto de definição de parâmetros para controle avançado da eficiência energética e monitoramento, análise e otimização do consumo de energia na Usina Termelétrica Governador Leonel Brizola, a ser concluído em dezembro de 2008”, explica a coordenadora do Proclima, Thaís Murce.
O Programa de Conservação de Energia (PCE) é outro aliado na otimização da eficiência energética na Petrobras. Em 2006, por exemplo, propiciou a redução de 180 mil toneladas de emissões de gás carbônico equivalente e uma economia de 1,1 milhão de kWh de energia e de cerca de 2.500 barris de óleo equivalente por dia. No âmbito desse programa, 40 Comissões Internas de Conservação de Energia (Cices) dão suporte às áreas de negócio da Petrobras na busca por melhores índices de eficiência energética. E estão atentas a oportunidades em cada unidade operacional ou escritório da Companhia para obter resultados.
“As comissões elaboram e implantam as metas do Programa de Conservação de Energia no âmbito do órgão ou da unidade do Sistema Petrobras a que estão veiculadas. Analisam o consumo de energia pela Petrobras permanentemente e o correspondente a cada fonte energética específica, além do potencial de redução desse consumo ou das despesas com energia. Propõem medidas e projetos para a melhoria da eficiência energética, como foi o caso da instalação de turboexpansores em unidades de craqueamento catalítico de refinarias da Petrobras, de modo a aproveitar a energia liberada durante a expansão de gases para gerar energia elétrica. Apoiadas pela gerência de Eficiência Energética da área de Gás e Energia da Petrobras, acompanham projetos de eficiência energética implantados e divulgam seus resultados. Contribuem para a elaboração do Programa Anual de Conservação de Energia da Petrobras. Participam dos processos de aquisição de bens e construção de ativos e listam os empreendimentos que envolvem o consumo de energia, de modo a incluí-los no planejamento da Companhia. Além disso, promovem ações de conscientização dos recursos humanos da Petrobras sobre a importância de medidas simples para economizar energia, tais como apagar as luzes e desligar computador e impressoras ao sair”, esclarece o gerente de Eficiência Energética da área de Gás e Energia, Luís Tadeu Furlan.
A colocação em prática do Plano de Otimização do Aproveitamento de Gás (Poag) em 24 plataformas da Bacia de Campos, desde 2001, resultado de um investimento de cerca de US$ 300 milhões até o ano de 2007, é mais uma iniciativa que tem possibilitado à Petrobras aumentar sua eficiência energética. E tem gerado resultados considerados exemplares pela Global Gas Flaring Reduction, iniciativa público-privada capitaneada pelo Banco Mundial. “Nos últimos seis anos, as medidas adotadas melhoraram o aproveitamento de gás associado pela Petrobras e evitaram a queima em tocha de cerca de 3,5 milhões m3/dia, em média. Ao todo, deixaram de ser lançados na atmosfera 21 milhões de toneladas de CO2. Contribuíram para isso, entre outros fatores, melhorias nos sistemas de compressão de plataformas, a capacitação de nossa força de trabalho para aperfeiçoar práticas operacionais, a criação de uma estrutura de armazenamento de gás associado e a construção de novos gasodutos marítimos”, ressalta o gerente de Planejamento da Produção de Gás Natural da área de Exploração e Produção da Petrobras, Mauro Sant’Anna. Até 2010, o quadro ainda vai melhorar. Novos projetos em andamento deverão elevar o aproveitamento de gás, calculado em cerca de 86% hoje, para 92%.
O Plano de Otimização do Aproveitamento de Gás da Petrobras reforça seu esforço em prol da eficiência energética
O Plano de Otimização do Aproveitamento de Gás da Petrobras (Plangás), por meio do qual a Companhia pretende elevar a oferta de gás brasileiro para o mercado da região Sudeste em até 40 milhões m3 até o fim de 2008 e 55 milhões até o fim de 2010, constituirá um reforço adicional à eficiência energética na Petrobras. Afinal, prevê investimentos de cerca de US$ 112 milhões em projetos para a redução da queima de gás em plataformas em operação, o que propiciará aproveitamento de mais de 800 mil m3 ao dia, e contempla a redução da queima de gás também em novas plataformas. “Fizemos alterações nos projetos dos sistemas de exportação de gás de nossas novas plataformas, de modo a evitar queimas. Além disso, na etapa de construção dessas plataformas e dos módulos de facilidades, vamos intensificar a inspeção do andamento das obras nos estaleiros, antecipar a instalação dos sistemas de compressão e efetuar testes mais completos, com o fim de reduzir o tempo entre o início do aproveitamento do gás e o início da produção de óleo. Assim, a queima já será reduzida desde o começo do processo”, explica Mauro Sant’Anna.
Eficiência em edificações
A eficiência energética está também presente em edificações da Petrobras. É o caso das novas instalações resultantes da ampliação do Cenpes, que incorporaram premissas de sustentabilidade, ecoeficiência e eficiência energética desde a fase de projeto conceitual. Tais cuidados habilitaram as instalações a concorrerem à certificação pelo Leadership in Energy and Environmental Design (Leed), sistema de classificação americano que avalia projetos sustentáveis. Em termos arquitetônicos, o posicionamento ideal da edificação no terreno de modo a melhor aproveitar a incidência dos ventos e a iluminação natural, a proteção das fachadas contra a incidência direta de luz solar pelo uso de painéis, de chapas de material fosco e pelo prolongamento do telhado, assim como as janelas e aberturas na estrutura cuidadosamente projetadas reduziram a demanda do sistema de ar-condicionado por energia e a necessidade de uso de luz artificial. De qualquer forma, sempre que a iluminação interna dos prédios se torna insuficiente, é acionada a iluminação artificial, gradualmente, para que seja mantido o padrão de luminosidade. Isso não é tudo. “Um sistema de co-geração de energia a gás, com capacidade final de 15 megawatts, fornecerá grande parte da energia elétrica necessária ao Cenpes e tornará o centro de P&D menos dependente em relação à rede elétrica convencional”, explica o gerente de empreendimento da Petrobras, Carlos Cezar de Oliveira.
A eficiência energética está também presente nas edificações da Petrobras
Nas novas instalações da Petrobras em Vitória, no Espírito Santo, as fachadas da edificação serão dotadas de vidros duplos isolados, com baixo nível de absorção e transmissão de calor, o que reduzirá a incidência de raios solares em 50% e reduzirá a demanda por refrigeração. Material translúcido disposto no teto do auditório adjacente ao prédio central também evitará o uso intensivo de luz artificial para iluminar o primeiro e o segundo pilotis.
Já no novo prédio da Universidade Petrobras no Rio de Janeiro, na Cidade Nova, para reduzir o consumo de eletricidade oriundo dos sistemas de iluminação, foram dispostos vidros nas fachadas internas e externas e foi construído um átrio central coberto por uma clarabóia de 900 m2. Assim, a luz natural substitui a artificial em grande parte. O consumo do sistema de ar-condicionado, que, geralmente, totaliza de 50 a 60% da energia de um edifício, também foi reduzido graças ao projeto do edifício. Os vidros do prédio garantem isolamento térmico e, juntamente com as fachadas, direcionam o calor para o alto, diminuindo a necessidade de refrigeração.
Investimentos em P&D
O investimento em pesquisa e desenvolvimento para a obtenção de maior eficiência nos processos de conversão e uso de energia na Petrobras é outro aliado na causa da eficiência energética. No Brasil, o fato de a legislação do país determinar que 0,5 % da renda advinda da produção de campos gigantes deve ser revertido para P&D é um estímulo a mais na busca pela eficiência energética e na superação constante dos resultados obtidos. Esse encargo cabe ao Cenpes, que, nesse âmbito, atua em conjunto com a gerência de Eficiência Energética da área de Gás e Energia da Petrobras e gera patentes no Brasil e no exterior. Entre as linhas de pesquisa vigentes vale destacar, por exemplo, a ecoeficiência em processos e produtos.
Multiplicação de conhecimentos
A disseminação de conhecimentos e melhores práticas na Companhia soma-se a todo esse esforço. “Na Intranet da Petrobras, o portal www.eficienciaenergeticapetrobras.com.br reúne artigos, vídeos, newsletters, apresentações em Power Point de palestras proferidas em seminários, normas e legislação associados ao tema, para consulta, dicas para se economizar energia e o sistema Gerenciamento de Projetos de Eficiência Energética (GPEE), que possibilita o cadastramento de idéias e projetos relacionados à eficiência energética e a simulação de ganhos obtidos após sua implantação. Inclui, ainda, as publicações eletrônicas Boletim de Eficiência Energética, de periodicidade variável, e o Guia de Oportunidades em Eficiência Energética, que trazem informações relevantes sobre o tema e estimulam boas práticas. Os Seminários Internacionais Petrobras de Eficiência Energética, importantes fontes de troca de conhecimentos na Petrobras e também com outras organizações e entidades, são realizados a cada dois anos. Além disso, as Comissões Internas de Conservação de Energia divulgam relatórios periódicos de suas atividades, os quais podem ser consultados pelos interessados.
A capacitação interna em eficiência energética, que inclui curso básico e outros específicos de eficiência energética em sistemas elétricos, sistemas térmicos e edificações, por exemplo, complementa o esforço da Petrobras em atingir eficiência energética cada vez maior. As aulas são ministradas na Universidade Petrobras.
Uso de fontes de energia renováveis
Finalmente, o uso de energias renováveis, tais como a energia eólica, a energia solar e a hidroeletricidade, é uma contribuição paralela à eficiência energética, já que evita ou substitui a geração de energia por fontes fósseis, além de reduzir emissões de CO2 e gerar energia limpa.
No que diz respeito à energia eólica, a Petrobras possui, em Macau, no Rio Grande do Norte, uma unidade-piloto de energia eólica com três aerogeradores, totalizando potência instalada de 1,8MW. Parte da energia gerada pela unidade supre demandas das plataformas Aratum I e II. Outra parte é usada para o bombeio de petróleo nos campos terrestres Macau A, Serra e Soledade, todos da Petrobras. A substituição do óleo diesel por energia renovável propiciada pela implantação da unidade rendeu à Petrobras um registro de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) concedido pela United Nations Framework Convention on Climate Change. Tal registro funciona como pré-requisito para que a Petrobras obtenha créditos de carbono que poderão ser negociados com empresas dos países que têm metas de redução de emissões de gases de efeito estufa previstas no Protocolo de Quioto.
O uso de fontes de energia renováveis reduz emissões de CO2 e gera energia limpa
Também por conta do parque eólico de Macau, que gerou 20,4 GWh de energia até 2007, a Petrobras conquistou o Prêmio Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia 2007, na modalidade “energia alternativa”. O prêmio foi concedido pelo Ministério das Minas e Energia do Brasil.
No que se refere à energia solar, unidades do Sistema Petrobras como as refinarias Reduc, Regap, Replan, Rlam e Recap, assim como a fábrica de fertilizantes Fafen da Bahia e a de Sergipe, do Sistema Petrobras, utilizam aquecimento solar em substituição a chuveiros elétricos e aquecimento a gás. Já no edifício-sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, o aquecimento de água nos vestiários fica a cargo de sistemas de energia termossolar. Graças a 2.179,4m2 de coletores, são aquecidos 125 mil litros de água por dia no Sistema Petrobras, é economizado 1,2GWh de energia e é evitada a emissão de 127 toneladas de CO2. O programa de energia termossolar da Companhia lhe garantiu a segunda colocação no Prêmio Petrobras de Segurança, Meio Ambiente e Saúde, em 2008.
No que tange à hidroeletricidade, a Companhia tem participação em 15 pequenas centrais hidrelétircas (PCHs), cuja energia a ser produzida já está contratada para distribuição no Sistema Interligado Nacional, isto é, no sistema hidrotérmico de produção e transmissão de energia elétrica do Brasil. Nesses empreendimentos, 140MW de potência cabem à Petrobras. Para consumo próprio, por sua vez, a Companhia providencia a construção da pequena central hidrelétrica Pira, em Santa Catarina, com 16MW de potência instalada. A previsão é de que esteja operando em 2010, com geração de 88GWh de eletricidade por ano. Paralelamente, outras oportunidades de negócio nesse âmbito estão sendo buscadas pela Petrobras.
Seja como for, ciente de que cada organização pode ser energeticamente eficiente, cada entidade ou cidadão pode economizar energia e essa postura contribui para preservar recursos naturais, evitar emissões de gases de efeito estufa e garantir energia para o futuro e um futuro melhor para as gerações que estão por vir, a Petrobras faz sua parte, certa de que está no caminho adequado mas ainda há muito a fazer. E você? Já fez a sua?
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