Cidadania Resgatada
Petrobras patrocina oficinas, centro cultural e programa de TV do Grupo Cultural AfroReggae, contrata bandas do grupo para apresentações em eventos no exterior e, com isso, inclui socialmente jovens de favelas do Rio de Janeiro.
Comprometida com a responsabilidade social e o incentivo à cultura brasileira, a Petrobras, juntamente com as empresas Vale, Banco Real e Natura, patrocina, desde 2006, oficinas sócio-culturais da organização não-governamental Grupo Cultural AfroReggae nas favelas Vigário Geral, Cantagalo, Parada de Lucas, Complexo do Alemão e Nova Era, no Rio de Janeiro. Associada aos mesmos parceiros, patrocina o programa de TV do grupo, Conexões Urbanas, que vai ao ar no canal Multishow. Em parceria com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, financia a construção do Centro Cultural Waly Salomão, que será inaugurado em março de 2009 em Vigário Geral. Além disso, contrata bandas do grupo para apresentações em eventos no exterior. Assim, investe no potencial de crianças e jovens de favelas do Rio de Janeiro, levando a eles educação, cultura e arte, ensinando-lhes um ofício e evitando que se tornem ociosos, sejam recrutados pelo narcotráfico ou sobrevivam à custa de subempregos.
“Garantimos formação cultural e artística para que aqueles que vivem em situação de risco possam deixar de representar números nas estatísticas de pobreza e violência do Brasil, tornem-se cidadãos que contribuam para a geração de riquezas, possam usufruir delas na justa medida e venham a ser multiplicadores dos conhecimentos obtidos. Entendemos que esse é o primeiro passo para romper abismos entre brancos e negros, ricos e pobres; combater a violência urbana; e promover o desenvolvimento eficaz do Brasil”, resume o coordenador executivo e diretor artístico do grupo, José Júnior, que foi também um dos seus fundadores.

Hoje, a Petrobras patrocina oficinas de percussão, dança, teatro e shiatsu em Vigário Geral; duas trupes de circo no morro do Cantagalo; cursos de tecnologia da informação em Parada de Lucas; oficinas de dança, circo, teatro e percussão no Complexo do Alemão; e oficinas de teatro, percussão, dança e circo na comunidade Nova Era. Para se ter uma idéia, 9.400 jovens participaram das oficinas em todas as favelas apenas de janeiro a outubro de 2008 e, desde que foram criadas, as oficinas profissionalizaram milhares de jovens. O núcleo de Parada de Lucas, por sua vez, gerou frutos. O espaço abrange, ainda, uma rádio web, a afroreggaedigital.com, que veicula notícias, programas musicais e coberturas de eventos, além de funcionar como escola de rádio e multimídia. Outro projeto está sendo gestado ali, a estruturação de uma agência de Comunicação, que facilitará a divulgação dos diversos projetos da ONG.
Também conta com patrocínio da Petrobras o programa semanal de TV Conexões Urbanas, veiculado às segundas-feiras, às 21h45, no canal Multishow. A proposta do programa, outro projeto bem-sucedido do grupo, é apresentar iniciativas sociais por parte de governos, empresas privadas e ONGS que contribuam para acabar com a discriminação em relação a minorias e todos os tipos de apartheid social, propiciando não somente a retratação da realidade mas, principalmente, uma interferência positiva para transformá-la. “Não se trata apenas de um programa de TV, mas de um movimento social televisionado”, explica José Júnior.

Para apresentações em eventos que patrocina no exterior ou dos quais participa, a Petrobras também contrata bandas de integrantes do Grupo Cultural AfroReggae, como a banda AfroReggae, e outras que dela derivaram, tais como Afro Lata, Afro Samba, Afro Mangue, Banda Makala Música e Dança, Tribo Negra, Akoni e Kitôto. No ano passado, por exemplo, a Companhia levou a Banda Afro Lata para se apresentar na exposição agropecuária e industrial Expoprado 2008, da qual participou no Uruguai. No mesmo ano, nos EUA, foi a vez de a Banda Makala Música e Dança apresentar-se no 5º Annual International Artivist Film Festival & Awards, festival de cinema documentário que a Companhia patrocina e, em edições anuais, objetiva conscientizar pessoas no mundo sobre questões relacionadas a preservação do meio ambiente, direitos humanos, proteção às crianças e aos animais. O lema do festival é “Uma pessoa com uma câmera pode fazer toda a diferença no mundo” e tal proposta é totalmente identificada com as bandas do Grupo Cultural AfroReggae, que, pela música, têm feito diferença na vida de muitos jovens e no Brasil.

“A música tem sido um instrumento fundamental para atrair jovens para participarem de nossas oficinas e atividades, uma arma contra a pobreza e a violência. E o sucesso alcançado pela Banda AfroReggae, tanto no âmbito artístico, como no social, estimulou muitos jovens a percorrerem o mesmo caminho. Assim, foram surgindo nossos outros grupos musicais”, relata José Júnior.
Outro projeto ambicioso que vai se tornar realidade também graças à parceria mantida entre Petrobras e BNDES será o Centro Cultural Waly Salomão, que promete ser uma referência em seu âmbito de atuação. E, como tal, será inaugurado em grande estilo, com a presença de autoridades e artistas. “O centro funcionará 24 horas, em quatro andares, e, prepara-se para ser um centro cultural de excelência no Rio de Janeiro. Sem dúvida, o maior já construído em uma favela na América Latina. Contará com videoteca, biblioteca, auditório multimídia, salas para acesso à Internet, estúdio de música, palco, sala de dança, quadras de esportes, salas para atendimento social e psicológico e salas de aula para a realização de oficinas”, detalha José Júnior. O antropólogo Hermano Vianna cuida da formatação e da organização do centro, juntamente com o Grupo Cultural AfroReggae.

O trabalho do grupo tem ampliado os horizontes de tanta gente e conseguido integrar comunidades mesmo quando situadas em áreas onde facções de traficantes se disputam, que já rendeu documentários premiados no exterior. É o caso de Favela Rising, que recebeu o prêmio de melhor documentário do mundo por parte da International Documentary Association em 2005, além de 35 outros prêmios internacionais. “Parada de Lucas, favela vizinha a Vigário Geral, é sua inimiga desde 1985 por conta do narcotráfico. Apesar do conflito, levamos até lá o nosso trabalho porque a guerra que lutamos é em favor da cidadania”, diz José Junior, que, juntamente com os outros integrantes do AfroReggae, criou uma produtora para dar sustentação comercial às bandas geridas pela ONG.
Ciente da importância do trabalho do Grupo Cultural AfroReggae, a Petrobras presta sua contribuição para a continuidade das atividades. “O AfroReggae faz muito mais do que descobrir jovens de talento. Seu papel é desenvolver neles o sentido de pertencimento a um grupo e a auto-estima, facilitar sua inserção no mercado de trabalho e ampliar seus horizontes. Enfim,formar cidadãos. Mais ainda, formar cidadãos conscientes que fazem diferença no país e ajudam a construir um mundo melhor para as gerações futuras. Iniciativas como essa, só temos a aplaudir e incentivar”, diz a gerente de Patrocínio Cultural da Petrobras, Eliane Costa.