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A Petrobras realizará uma experiência inédita em sua Unidade de Industrialização do Xisto, a SIX, localizada no estado brasileiro do Paraná, na cidade de São Mateus do Sul. Testará a captura de dióxido de carbono (CO2) em escala de demonstração em uma Unidade-Protótipo de Craqueamento Catalítico Fluido. A experiência, inédita no mundo, será necessária para possibilitar o uso da tecnologia em escala industrial e, assim, reduzir emissões, na atmosfera, de um dos gases que mais contribui para aumentar o efeito estufa e o aquecimento global. O primeiro teste deverá ocorrer em 2009.

Unidade de Craqueamento Catalítico Fluído

No processo de craqueamento catalítico, as frações mais pesadas obtidas na destilação do petróleo são quebradas em moléculas menores pela ação de partículas de catalisador, o que gera produtos como gasolina e GLP. Tal processo se dá dentro de um conversor e gera um acúmulo de coque, isto é, de resíduo de carbono, na superfície do catalisador. Como o coque desativa o catalisador, é preciso queimar esse resíduo para que o catalisador retome sua atividade. Essa queima é feita por meio de injeção de ar, o que gera um gás que contém entre 10 e 15% de CO2 e é lançado na atmosfera.

Para capturar esse CO2 antes de ser lançado na atmosfera, a Petrobras desenvolveu uma tecnologia, a oxicombustão, que tem potencial para reduzir as emissões de dióxido de carbono na área de Refino em até 37%, além de ter custo 50% menor do que a tecnologia tradicional. Os estudos para desenvolvê-la tiveram início em 2004. Desde então, foi submetida a testes em laboratório, realizados pela Petrobras e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em parceria. Finalmente, foi demonstrada a sua viabilidade técnica em unidade-piloto no centro de pesquisas e desenvolvimento da Petrobras, o Cenpes. Hoje, no local, existe um projeto de captura de CO2 em Unidade de Craqueamento Catalítico Fluido.

Uréia ensacada

“Na oxicombustão, substitui-se a injeção de ar pela de oxigênio puro, o que faz com que o CO2 do gás resultante fique mais concentrado e, portanto, seja mais fácil capturá-lo. E, para evitar aumento brusco de temperatura e redução da fluidização do catalisador, efeitos indesejáveis resultantes da injeção de oxigênio puro no conversor, recicla-se parte do CO2 e mistura-se o gás a oxigênio puro”, explica o coordenador técnico do projeto de captura de CO2 em Unidade de Craqueamento Catalítico Fluido do Cenpes, Leonardo Mello.

Os ganhos são diversos. “A percentagem de redução de emissões de dióxido de carbono na área de Refino é considerável. Levando em conta que, em 2008, por exemplo, o total de emissões previsto totaliza cerca de 17 milhões de toneladas, a redução seria de 6,290 milhões. Outra vantagem é que parte do CO2 capturado pode ser usada para a recuperação avançada de petróleo em campos maduros, mediante injeção do gás em poços ali perfurados. Além disso, o CO2 pode servir para a produção de uréia, componente básico na formulação de fertilizantes nitrogenados. Nesse caso, substituiria o gás natural, disponível em menor escala. Já a médio e longo prazos, o CO2 também pode ser utilizado na nutrição de microalgas, cujo óleo delas extraído pode, por sua vez, gerar biodiesel de alta produtividade”, ressalta o gerente de tecnologia de Craqueamento Catalítico Fluido do Cenpes, Oscar Chamberlain.

Os resultados da implementação da tecnologia inovadora atraíram a atenção mundial de tal forma, que, dentre 13 projetos internacionais de captura de dióxido de carbono, o da Petrobras conquistou primeiro lugar no ranking das prioridades do Carbon Capture Project – Phase 2 (Projeto de Captura de Carbono - Fase 2), consórcio multicliente que reúne oito empresas de energia (British Petroleum, Chevron, Eni, Suncor, Shell, ConocoPhillips, StatoilHydro e Petrobras) com o fim de promover o desenvolvimento de tecnologias de captura de CO2. Mais uma conquista para a SIX, que, graças a sua também inovadora e mundialmente renomada tecnologia de extração e processamento de xisto, a Petrosix, entende de pioneirismo desde sua criação. E que assim se conserve nos anos que estão por vir.

Microalgas geram biodiesel

O centro de pesquisas e desenvolvimento da Petrobras, o Cenpes, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), desenvolvem pesquisas em laboratório que objetivam o estudo de microalgas e sua reprodução, a fim de que possam filtrar o CO2 do meio ambiente, devolvendo-lhe oxigênio em troca, e gerar biodiesel.

Microalgas

Pesquisadores coletam amostras de vários ambientes aquáticos do Rio Grande do Norte, as quais contêm milhares de microalgas, invisíveis a olho nu. Em laboratório, as amostras são postas em uma estufa, com temperatura e iluminação adequadas, a fim de que as algas se mantenham vivas. Mais tarde, utilizando micropipetas, cada amostra de água é diluída por gotejamento sobre lâminas, as microalgas são capturadas isoladas e classificadas. Cada espécie, então, é levada a um fotobiorreator com micronutrientes para que se reproduza. Dias depois, as algas são postas para secar e embaladas, para evitar seu contato com a luz e o ar. As microalgas secas são colocadas em um reator que extrai o óleo nelas contido. Esse óleo retorna ao reator para, por intermédio de reações químicas, gerar biodiesel.

Petrosix

A Unidade de Industrialização do Xisto da Petrobras, a SIX, possui uma tecnologia consolidada, patenteada e mundialmente renomada de extração e processamento do xisto, rocha sedimentar que constitui a matéria-prima da unidade. Essa tecnologia é denominada Petrosix e compreende as etapas a seguir descritas.

Processamento do xisto

O xisto, que contém querogênio, isto é, um complexo orgânico que se decompõe termicamente e produz óleo e gás, é minerado a céu aberto. Em seguida, é transportado para um britador, que reduz a rocha a fragmentos. Por intermédio de uma correia, os fragmentos são levados a um reator cilíndrico vertical, conhecido, também, como retorta, a fim de serem aquecidos em alta temperatura. O xisto libera, então, matéria orgânica sob forma de óleo e gás.

Em outra etapa, o xisto é resfriado, o que resulta na condensação dos vapores de óleo, os quais, sob a forma de gotículas, são transportados para fora da retorta pelos gases que se formam.

Os gases de xisto passam por outro processo de limpeza para a obtenção do óleo leve. O restante é encaminhado para a unidade de tratamento de gases, onde são produzidos gás combustível e gás liquefeito (GLP) e onde é feita a recuperação do enxofre.

Hoje, a SIX processa 7.800 toneladas de xisto diariamente, em total conformidade com os requisitos das normas internacionais de qualidade, meio ambiente, saúde e segurança no trabalho.