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Dando continuidade a uma experiência bem-sucedida, a Petrobras e a Fundação Banco do Brasil lançaram, em março, um projeto de implantação de mil unidades de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais), que possibilitarão a produção integrada de aves, hortaliças e frutas, em sistema de aproveitamento cíclico e sem o uso de adubos químicos ou agrotóxicos. Ao todo, 1.182 famílias serão beneficiadas, em cinco estados brasileiros, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia e Minas Gerais. O investimento no projeto será de R$ 9,6 milhões.

Cada unidade de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável é implantada em um sistema de anéis formados em torno de um centro e pressupõe culturas e/ou atividades distintas e complementares em cada anel. O centro é destinado à criação de pequenos animais, tais como galinhas e patos. Seu esterco, por sua vez, é utilizado para adubar as plantações dispostas nos anéis. Ao redor de cada unidade, um quintal agroecológico pode servir para reflorestamento, cultivo de frutas ou cultivo de espécies nativas ou comerciais. A irrigação é feita por gotejamento.

Arquivo FBB
Unidade de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável

Para dar início a cada empreendimento, as famílias de agricultores encarregadas recebem um Kit Pais com 33 itens, entre os quais sementes, galinhas, mudas de plantas e caixas d’água. Contam, também, com consultoria técnica e monitoramento durante dois anos na execução de todas as etapas do trabalho, isto é, desde a escolha e o preparo do terreno até a comercialização do que foi produzido.

No Rio de Janeiro, onde o projeto é coordenado pela organização da sociedade civil de interesse público Convergência, serão implantadas 200 Pais em municípios próximos ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, em construção em Itaboraí. No Rio Grande do Norte, haverá 200 unidades. Em Sergipe, também 200. Na Bahia, 240 unidades serão formadas. Já em Minas Gerais, serão constituídas 160 Pais.

Arquivo FBB
O centro de cada Pais é destinado à criação de pequenos animais

O entusiasmo com o projeto não poderia ser maior. “O projeto é sustentável, pois assegura alimentos para a subsistência de centenas de famílias de agricultores e lhes possibilita comercializar excedentes de produção, gerando emprego e renda no campo, fixando o homem à terra. Gera segurança alimentar. Além disso, é implementado em total sintonia com a natureza, visto que não prevê a utilização de adubos químicos, nem agrotóxicos”, explica o gerente de Responsabilidade Social da Petrobras, Luis Fernando Maia Nery.

O ator brasileiro de novelas Marcos Palmeira, proprietário de fazenda de produtos orgânicos no Rio de Janeiro, presente ao lançamento do projeto, conhece o sistema e endossa o grupo de entusiastas. “É uma ferramenta contra a fome que tem as vantagens de assegurar uma vida saudável aos agricultores devido à ausência de insumos químicos na produção e de garantir maior independência financeira aos pequenos produtores”, diz ele.

Mais especificamente, no entorno do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, as unidades de produção desempenharão um papel de suma importância. “Como o Comperj será um dos maiores empreendimentos da Petrobras e irá gerar milhares de empregos no entorno, as unidades de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável serão um reforço a mais para reter o homem no campo em Itaboraí e em municípios de influência do complexo, tais como Guapimirim, Magé, Cachoeiras de Macacu, Tanguá e Rio Bonito”, acrescenta Nery.

As unidades de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável são tecnologias sociais prioritárias na Rede de Tecnologia Social (RTS), criada no Brasil, em 2005, com o fim de disseminar experiências bem-sucedidas de inclusão social no Brasil e como resultado da articulação entre governos, empresas, instituições do terceiro setor e universidades. Graças à rede, já foram implantadas Pais em 42 municípios de 14 estados, totalizando 3.609 unidades. Até 2010, a meta é implantar cinco mil unidades em 12 estados brasileiros.