• Impressão
Geraldo Falcão / Banco de Imagens Petrobras
A Petrobras garantirá conteúdo local na construção de plataformas

A Petrobras reviu e atualizou seu Plano de Negócios e, agora, divulga o documento que estará em vigor de 2009 a 2013. A previsão é investir US$ 174,4 bilhões no Brasil e no exterior nesse período. Mais especificamente, U$ 104,6 bilhões serão destinados ao segmento de negócios de Exploração e Produção, US$ 43,4 bilhões ao de Abastecimento, U$ 11,8 ao de Gás e Energia; US$ 5,6 bilhões ao Petroquímico; US$ 3,2 ao Corporativo; US$ 4,3 bilhões ao de Distribuição e US$ 2,8 ao de Biocombustíveis.

A meta, ambiciosa em termos de investimentos considerando a conjuntura internacional de crise econômica, é ampliar a atuação nos mercados-alvo, o que será feito mantendo o compromisso com o desenvolvimento sustentável e tendo como alicerces desse desenvolvimento a rentabilidade, a responsabilidade social e ambiental e o crescimento integrado. Assim, a Petrobras pretende tornar-se referência como uma das maiores empresas integradas de energia do mundo.

Exploração e Produção

No segmento de Exploração e Produção, no Brasil, a Petrobras manterá parcerias com a indústria nacional, buscando assegurar conteúdo local na construção de unidades de produção, negociando reduções de preços com fornecedores e apostando na competitividade dos empresários brasileiros. A idéia é, por intermédio dos projetos, aumentar a produção brasileira de petróleo, de modo a atingir 2.680.000 barris por dia em 2013. Para tanto, serão investidos US$ 92 bilhões no país, sendo US$ 70 bilhões no desenvolvimento de produção, US$ 13,6 bilhões em atividades exploratórias e 8,4 em outros âmbitos.

Apenas nos projetos relacionados à Província Pré-Sal serão investidos US$ 29 bilhões. O diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, explica os detalhes. “Vamos implementar o Sistema Piloto de Tupi, que iniciará produção de 100 mil barris de óleo equivalente e cerca de 3,5 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia em 2010. Os projetos-pilotos de Guará e Iara, na Bacia de Santos, irão entrar em operação em 2013 e 2014, respectivamente. Em cada uma dessas acumulações, será instalado um FPSO com capacidade de produzir até 100 mil bpd. Além disso, vamos instalar a unidade destinada à produção do Parque das Baleias, no litoral do Espírito Santo, na Bacia de Campos. A projeção é de que os campos da Província Pré-Sal atinjam produção de 219 mil barris por dia em 2013 e de cerca de 1.800.000 barris por dia em 2020, volume que dobrará, praticamente, a produção diária da Petrobras no Brasil”, diz ele. Fora da província, os sistemas de produção de óleo nos campos marítimos Jabuti, Frade e Parque das Conchas deverão começar a operar ainda em 2009. As plataformas P-57 e P-56 entrarão em produção nos campos de Jubarte, na Bacia do Espírito Santo, e Marlim Sul, na Bacia de Campos, respectivamente, em 2011. Já em 2013, deverão começar a operar as plataformas P-62 e P-55 no campo de Roncador, na Bacia de Campos, e P-61 e P-63, no campo de Papa-Terra.

Quanto à produção de gás, estão previstos, ainda para 2009, a expansão do projeto de Manati, na bacia de Camamu/Almada na Bahia, e a entrada em produção dos campos de Lagosta, na Bacia de Santos, de Canapu e Camarupim, na Bacia do Espírito Santo, e de Urucu, na Bacia do Solimões.

Arte: Cláudio Duarte
Província Pré-Sal

Mais especificamente, alguns projetos de produção de gás não associado ao petróleo a serem implementados nos campos Uruguá/Tambaú e Mexilhão, em 2010, terão a importante função de antecipar a produção de gás natural no Brasil, como integrantes do Plano de Antecipação de Produção do Gás (Plangas), e aumentar a produção do combustível no Brasil. “Os campos contíguos Uruguá/Tambaú terão capacidade de produção de 8 milhões de m3/dia. Já o de Mexilhão está apto a produzir até 15 milhões de m3/dia”, informa Estrella. Em 2011, por sua vez, deverão entrar em operação os projetos Juruá e Araracanga.

As atividades exploratórias também serão intensas. “A previsão é explorar 265 blocos nas bacias do Ceará, Potiguar, do Solimões, de Sergipe, de Alagoas, do São Francisco, do Espírito Santo, de Campos, de Santos e de Pelotas. A área a ser explorada totaliza 154.998km2, conforme previsto em 186 contratos de exploração”, destaca Estrella.

No exterior, continuarão em foco os projetos de exploração e produção em campos situados na parte norte-americana do Golfo do México, investimentos em exploração de petróleo e gás natural na Argentina e exploração e produção de campos na Nigéria e em Angola, nessa ordem.

Tendo em vista os projetos mencionados, a Petrobras espera, em 2013, totalizar produção de cerca de 3,6 milhões barris de óleo equivalente por dia (boed), incluindo a contribuição de seus campos no exterior.

Abastecimento

Luís Veiga / Banco de Imagens Petrobras
A Petrobras aumentará sua capacidade de refino no Brasil e no exterior

No segmento de negócios de Abastecimento, a Petrobras pretende aumentar sua capacidade de refino no Brasil e no exterior, à medida que crescer sua produção de petróleo. A carga de petróleo processada deverá passar dos atuais 1,791 milhão de barris para 2,270 milhões em 2013 e 3,012 milhões em 2020, havendo um aumento anual de 4,8%.

Para que essa meta seja atingida, começarão a operar, no Brasil, a Refinaria Clara Camarão, no Rio Grande do Norte, em 2010; a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, em 2011; o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, em 2012; o Complexo Petroquímico de Suape, em Pernambuco; e as refinarias Premium I e II, no Maranhão e no Ceará, respectivamente, em 2013.

Geraldo Falcão / Banco de Imagens Petrobras
A Petrobras vai ampliar seu negócio de geração de energia elétrica no Brasil

No exterior, a refinaria da Petrobras em Pasadena, no Texas, continuará sendo a prioridade dos investimentos, seguida pelas refinarias Ricardo Eliçabe, San Lorenzo e Refinor, na Argentina, e Okinawa, no Japão.

As refinarias da Petrobras serão adaptadas para produzir óleo diesel e gasolina com menor teor de enxofre, estando previsto um incremento no suprimento de derivados de petróleo, que subirá de 1,95 milhão de barris/dia em 2008 para 2,257 milhões/dia em 2013. O diesel, conforme previsto no Plano de Negócios, deverá continuar sendo o derivado mais consumido. Mas, no período, uma novidade tornará o cenário mais favorável. “O Brasil alcançará a autosuficiência na produção do combustível”, garante o diretor de Abastecimento da Companhia, Paulo Roberto Costa.

O atendimento ao mercado brasileiro de fertilizantes será ampliado. Para tanto, está prevista a construção de uma nova unidade de fertilizantes nitrogenados. “A fabrica acrescentará um milhão de toneladas/ano à produção que cabe à Petrobras. A entrada em operação está programada para o ano de 2013”, explica Paulo Roberto Costa.

No que diz respeito à Logística, a Petrobras pretende firmar parcerias comerciais e implementar logísticas multimodais, de modo a garantir a colocação de petróleo, derivados e biocombustíveis em mercados-alvo, no Brasil e no exterior. Além disso, vai redimensionar a frota de petroleiros a seu serviço, aí incluídos navios próprios e operados por terceiros, considerando o equilíbrio entre o suprimento confiável de mercados, os custos e a segurança operacional.

Gás e Energia

No segmento de Gás e Energia, os objetivos serão fortalecer a liderança da Petrobras no mercado brasileiro de gás natural e sua atuação internacional; e ampliar o negócio de geração de energia elétrica no Brasil, mantendo flexibilidade no suprimento e no atendimento a demandas e flexibilizando a oferta aos mercados térmico e não-térmico. Para tanto, de um orçamento de US$ 5,4 bilhões são destinados a projetos em andamento e US$ 5,2 bilhões caberão a novos empreendimentos.

Dente os projetos em andamento que recebem investimentos, a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster, detalha alguns. “O terceiro e último trecho do Gasoduto Sudeste-Nordeste, o Gasene, será concluído. Esse trecho, denominado Cacimbas-Catu, terá 954 km de extensão, ligará o Espírito Santo à Bahia e deverá ser finalizado no primeiro semestre de 2010. O empreendimento possibilitará a interligação das malhas das regiões Sudeste e Nordeste. Serão concluídas sete pequenas centrais hidrelétricas com capacidade total de 144MW e sete usinas termelétricas, as quais totalizarão 1.113MW de capacidade. Será instalado o ciclo combinado das unidades Luis Carlos Prestes, em Mato Grosso do Sul, que terá sua capacidade ampliada de 262MW para 368MW, e Sepé Tiaraju, no Rio Grande do Sul, que terá a capacidade ampliada de 161 MW para 248MW. Além disso, o gasoduto Bolívia-Brasil, o Gasbol, terá sua capacidade ampliada entre São Paulo e Paraná por meio de novas estações de compressão.”.

Geraldo Falcão / Banco de Imagens Petrobras
Terminal de gás natural liquefeito

Quanto aos novos projetos previstos, destaca-se a construção do terceiro e do quarto terminais de gás natural liquefeito (GNL) da Petrobras. O primeiro deles, com capacidade de armazenar, regaseificar e transferir 14 milhões de m3/dia, deverá iniciar operações até o fim de 2013. Já o quarto começará a funcionar imediatamente após. Outro projeto relevante é o de construção de uma unidade de liquefação flutuante para a Companhia. A unidade escoará gás da Província Pré-Sal e o destinará a terminais de regaseificação instalados na costa brasileira, ou para exportação em períodos em que a demanda termelétrica estiver reduzida ou o mercado spot não demandar volumes adicionais. Uma planta de GNL on-shore, apta a importar, estocar e exportar gás natural liquefeito, é outra grande novidade em pauta, com o fim de integrar os setores de gás natural e energia elétrica.

Mais especificamente na área de energia, outros projetos deverão consolidar a presença da Petrobras no mercado energético. “A Companhia planeja participar de leilões de energia elétrica, de modo competitivo e rentável, ao mesmo tempo. Além disso, vai investir em fontes de energia renováveis, incluindo usinas eólicas”, informa Graça Foster.

Já se pode dizer que, em função de compromissos assumidos, caberão à Petrobras, em 2013, 8.787MW de energia, supridos pela Companhia na qualidade de geradora de energia elétrica ou fornecedora de gás natural para termelétricas.

Petroquímica

Rogério Reis / Banco de Imagens Petrobras
O Comperj transformará óleo pesado em insumos petroquímicos que virarão resinas

No segmento Petroquímico, em sinergia com os demais negócios do Sistema Petrobras, a Companhia vai aumentar a produção de produtos petroquímicos básicos, tais como o eteno, o propeno, o benzeno e o paraxileno. Mediante participações em empresas no Brasil e no exterior, vai atuar no refino de 2ª geração, que objetiva transformar produtos petroquímicos básicos em produtos de 2ª geração, como o estireno, etileno-glicol, polipropileno, PTA e polietilenos, destinados aos mercados interno e externo. Além disso, vai atuar, também, na produção de biopolímeros, isto é, polímeros produzidos de matérias-primas renováveis, como celulose, cana-de-açúcar, milho e soro de leite.

Nesse contexto, o Comperj se destacará por transformar o óleo pesado extraído do campo de Marlim, na Bacia de Campos, em insumos petroquímicos que, por sua vez, serão transformados em resinas.

Biocombustíveis

No segmento de Biocombustíveis, a Petrobras vai atuar no Brasil e no exterior de modo a ter participação relevante nos negócios de biodiesel e etanol, sempre de forma sustentável, promovendo o desenvolvimento dos países em que atuar e contribuindo para a redução de emissões de gases de efeito estufa.

Dos investimentos previstos para o segmento, US$ 2,4 bilhões serão destinados à produção de biocombustíveis, atividade a cargo da Petrobras Biocombustível, sendo 91% do montante direcionados ao Brasil e 9% ao exterior. A Petrobras também aplicará US$ 400 milhões em infraestrutura, aí incluída a construção do alcooduto Senador Canedo - São Sebastião, que se estende de Goiás, passando por Minas Gerais, a São Paulo, havendo possibilidade de escoamento também pelo terminal de Ilha D’Água no Rio de Janeiro.

Rogério Reis / Banco de Imagens Petrobras
Sementes de dendê, fruto da palmeira dendezeiro

No âmbito do etanol, que abarcará 80% dos recursos, a meta é atingir produção de 1,9 bilhão de litros do combustível direcionada ao mercado externo e 1,8 bilhão ao mercado interno até 2013. Os projetos com foco em exportação serão concretizados juntamente com parceiros. “Trata-se de projetos que envolverão uma empresa brasileira majoritária produtora de etanol; a Petrobras Biocombustível, que atuará como sócia minoritária relevante; e uma empresa internacional que já detenha mercado para exportar o produto. A expectativa é implementar quatro desses projetos ainda em 2009”, explica o presidente da Petrobras Biocombustível, Alan Kardec Pinto.

Outros planos da Petrobras envolvem a possibilidade de adquirir participação em usinas de etanol já existentes e a análise da viabilidade de construir uma unidade de produção de etanol na Colômbia.

No âmbito do biodiesel, que abarcará 20% dos recursos, a meta é atingir produção de 640 milhões de litros em 2013 no Brasil. Para tanto, estão sendo estudados a construção de uma nova usina na região norte do país; a duplicação da usina de Candeias, que opera na Bahia; o aumento da capacidade de produção das usinas de Quixadá e Montes Claros, no Ceará e em Minas Gerais, respectivamente; a adaptação das usinas experimentais de Guamaré, no Rio Grande do Norte, para produzirem em escala comercial; e a aquisição de duas novas usinas de biodiesel no Brasil que totalizem produção de 230 milhões de litros por ano.

Um amplo programa de fomento à agricultura , tendo como pilares a sustentabilidade ambiental, social e econômica, está sendo desenvolvido para possibilitar o suprimento das usinas de biodiesel com matérias-primas.O plantio de mamona e girassol tem sido incentivado. Também estão sendo desenvolvidos programas para viabilizar o plantio de dendê, pinhão manso, macaúba e, em menor escala, algodão, amendoim e soja. A meta é, até 2013, formar parcerias com 80 mil famílias de agricultores, diretamente ou por intermédio de suas entidades representativas.

No exterior, está em avaliação um projeto em parceria com a empresa portuguesa Galp Energia, o qual prevê a produção anual de 330 mil m3 de óleo vegetal no Brasil e 320 mil m3 de biodiesel em Portugal. Além disso, está prevista a implantação de uma unidade de produção de biodiesel na África.

Paralelamente, no período de 2009 a 2013, a Petrobras investirá US$ 530 milhões em pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis, além dos US$ 2,8 bilhões destinados a produção e infraestrutura na área. Entre as principais linhas de pesquisa, destaca-se o desenvolvimento de tecnologias competitivas para a produção de etanol de 2ª geração, utilizando biomassa residual – no caso, o bagaço da cana-de-açúcar. No centro de P&D da Petrobras, o Cenpes, uma Planta de Demonstração estará em funcionamento, para testes, em 2010. Também haverá investimentos no desenvolvimento tecnológico de novas variedades de plantas oleaginosas e no melhoramento genético das variedades já existentes.

Distribuição

Por fim, no segmento de Distribuição, a Petrobras, por intermédio da Petrobras Distribuidora, trabalhará principalmente para consolidar sua liderança nos segmentos de postos de serviço, grandes consumidores e produtos de aviação, tendo como prioridades a construção, a ampliação e a modernização de empreendimentos e a melhoria de infraestrutura logística.

O mercado automotivo será o que receberá mais investimentos. Aí se incluirão recursos destinados à mudança de imagem dos postos de serviço que a Petrobras adquiriu da empresa Ipiranga no Brasil e também à manutenção e à modernização da rede de postos Petrobras, que contarão com novas tecnologias de automação.

A Petrobras Distribuidora passará a cuidar do negócio de asfaltos do Sistema Petrobras e absorverá sete fábricas do produto no Brasil. Nesse âmbito, está prevista a melhoria da qualidade de emulsões asfálticas e de asfaltos industrializados, assim como a instalação de laboratórios e equipamentos de armazenagem para clientes de produtos asfálticos.

Em termos de infraestrutura logística, a fábrica de lubrificantes de Duque de Caxias será ampliada. Serão construídas novas bases de armazenagem de combustíveis e lubrificantes, além do Terminal de Macapá, no Amapá, e da Base Cruzeiro do Sul, no Acre. Será ampliada e melhorada a infra-estrutura de terminais e bases para o atendimento a demandas de termelétricas e relativas a biocombustíveis. Além disso, será ampliada a rede de distribuição de gás canalizado no Espírito Santo.

No segmento de grandes consumidores, a Petrobras Distribuidora aumentará a capacidade de seus depósitos para prestar serviços de suprimento e armazenagem de produtos químicos e ampliará a capacidade de distribuição desses produtos.

Já no segmento de aviação, serão realizadas a expansão e a modernização das Unidades de Abastecimento de Aeronaves nos aeroportos atendidos pela Petrobras Distribuidora no Brasil, serão instaladas novas unidades BR Aviation Center para a fidelização de empresas-clientes do ramo de aviação executiva e será iniciada a atuação em novos aeroportos no Brasil, tais como os de Porto Seguro, na Bahia; Navegantes, em Santa Catarina; Foz do Iguaçu e Maringá, no Paraná; Macapá, no Amapá; Imperatriz, no Maranhão; e Itanhaém, em São Paulo.

Considerando os investimentos previstos e os projetos a serem implementados, a Petrobras confirma, mesmo em tempos de crise, que tem visão de futuro e não de curto prazo. Assim, buscará o equilíbrio entre produção e refino, sinergia entre negócios e, alavancando o desenvolvimento do Brasil e dos países em que atuar, trabalhará para ser um grande exportador de petróleo e derivados e uma das maiores empresas de energia do mundo. Não se trata apenas de um plano, mas de um compromisso. Quem esperar para ver verá sua concretização.

Marcela Herrera
A Petrobras modernizará suas Unidades de Abastecimento de Aeronaves