Revitalização da Indústria Naval
Petrobras recupera indústria naval do Brasil mediante encomenda de plataformas e navios, gera empregos e movimenta a economia do país.
Se a crise econômica mundial ainda aflige países e mercados, no Brasil, a Petrobras, dando continuidade a investimentos previstos, recupera a indústria naval por meio de encomendas de plataformas e navios. Assim, gera empregos, movimenta a economia e impulsiona o desenvolvimento do Brasil. A tendência é que o quadro ainda melhore por conta das descobertas na Província Pré-Sal. Grupos privados brasileiros e estrangeiros que atuam no Brasil já pensam em desengavetar projetos de instalação de novos estaleiros no país.
As atividades na indústria naval brasileira se estagnaram na década de 90. O reaquecimento teve início no ano de 2000, quando a Petrobras deu início à conversão de dois navios petroleiros nas unidades de produção do tipo FPSO* P-43 e P-48, destinadas aos campos de Barracuda e Caratinga, respectivamente, na Bacia de Campos. A conversão da P-47, de FSO** em FPSO, para processar e tratar óleo de plataformas do campo de Marlim, também na Bacia de Campos, e a do navio petroleiro Felipe Camarão no FPSO P-50, destinado ao campo de Albacora Leste, continuaram a impulsionar a indústria. E essa ganhou ainda mais vigor quando o governo brasileiro orientou a Petrobras a fazer construir no Brasil as plataformas P-51, P-52, P-53, P-54 e PRA-1.
Tal política culminou na criação, em 2003, pelo governo brasileiro, do Programa de Mobilização da Indústria do Petróleo e Gás Natural (Prominp). Por meio dele, passou-se a maximizar, em bases competitivas e sustentáveis, a participação da indústria brasileira de bens e serviços nos empreendimentos relacionados aos setores de petróleo e gás natural no Brasil e no exterior.
Hoje, a indústria naval brasileira funciona “a todo o vapor”.
“Vivemos em um contexto de revitalização com planejamento de longo prazo que vai propiciar sustentabilidade à indústria naval”, comemora o gerente geral de Implementação de Empreendimentos para a área de Exploração e Produção e Transporte Marítimo da Engenharia da Petrobras, Antonio Carlos Alvarez Justi.
Promef
A revitalização da indústria naval mobiliza o Brasil de Norte a Sul. Na região Sul, Rio Grande já se volta para o futuro. Estrategicamente posicionada como único porto marítimo do estado do Rio Grande do Sul, com dois cais, dique seco de 350m de comprimento por 130m de largura e pórtico que possibilitará o levantamento de cargas de até 600 toneladas em área de 430m², a cidade terá seu desenvolvimento fortemente alavancado. Afinal, ali será construída a plataforma P-55 e o empreendimento vai gerar empregos, movimentar o comércio e aquecer o setor imobiliário. O Pólo Naval de Rio Grande está alugado para a Petrobras até 2019. Atualmente, passa por obras de infraestrutura, as quais serão concluídas ainda em 2009.
O Pólo Naval também deverá receber encomendas de oito cascos de plataformas do tipo FPSO, os quais integrarão a primeira leva de unidades de produção de propriedade da Petrobras destinadas à Província Pré-Sal. Outras três unidades afretadas deverão ser adotadas em projetos futuros da Petrobras. A primeira já está em construção no exterior. As outras duas deverão ter conteúdo nacional mínimo exigido.
Na região Nordeste do país, em Ipojuca, no estado de Pernambuco, no Estaleiro Atlântico Sul (EAS), estão sendo construídos o casco da plataforma P-55 e o primeiro navio petroleiro do tipo Suezmax do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), liderado pela Petrobras Transportes, subsidiária da Petrobras. Somente a montagem do navio Suezmax, capaz de transportar um milhão de barris de petróleo, já está garantindo emprego a milhares de trabalhadores.
Outras 14 das 49 embarcações previstas no programa Promef serão ainda construídas no estaleiro, área de 1,62 milhão de m² que tem um dique de 400m de comprimento por 73m de largura, um cais de mais de 700m de comprimento e dois pórticos do tipo Goliath, cada um com capacidade de erguer cargas de até 1.500 toneladas.
Por conta da construção de todos os navios do programa Promef, é estimada a geração de 40.000 empregos diretos no Brasil. Na primeira fase do programa (Promef I), foi licitada a construção de 22 navios de quatro tipos, já tendo sido efetivada a contratação de três estaleiros para a construção de 19 deles. Na segunda fase (Promef II), em curso, outras 20 unidades serão construídas também em três estaleiros. Uma nova fase é prevista, na qual será licitada a construção de oito navios para transporte de GLP.
A construção de todos os navios do programa Promef gerará 40.000 empregos diretos
Em São Roque, haverá toda infraestrutura para construir plataformas para águas rasas
Ainda na região Nordeste, em São Roque, no estado da Bahia, o único canteiro offshore de propriedade da Petrobras ganhou fôlego novo por conta de um investimento de 30 milhões de reais em modernizações e dos empreendimentos que ali serão concretizados. Praticamente paralisado na década de 90 e afretado quando grande parte das encomendas offshore da Petrobras migrou para o exterior, voltou à ativa em 2003. De lá para cá, foram construídas no local as plataformas Peroá-Cangoá, Manati e PRA-1. Agora, quando se prepara para agregar toda a estrutura industrial para a construção de unidades de águas rasas, estão em construção as unidades de perfuração offshore P-59 e P-60, plataformas do tipo auto-elevável (jackup) aptas a perfurar a uma profundidade de até 9.144m. A Petrobras estima que ambas terão 70% de componentes brasileiros.
Ainda terão lugar no canteiro a construção de uma oficina para a montagem de blocos, a modernização de duas oficinas, a construção de uma fábrica de tubulações e o reforço de um cais. Feito isso, poderão ser construídas três sondas de até 14.000 toneladas naquele espaço.
A demanda é crescente. Para se ter uma idéia, já estão previstas para realização, nos canteiros remodelados, a reforma da plataforma semisubmersível P-14, a da P-3 e a construção de novas unidades para os campos de Camorim e Dourado, em Sergipe. A Petrobras promete aumentar encomendas. E vai valorizar os fornecedores brasileiros.
A idéia é, nos próximos dois anos, tornar a indústria naval brasileira não apenas mais produtiva, como também mais competitiva em termos de preço e qualidade, como ocorre na Coréia do Sul e em Cingapura. Alcançado esse objetivo, a meta será garantir que a sustentabilidade do mercado naval brasileiro seja cada vez mais profissional. E, que, futuramente, a indústria naval brasileira possa exportar bens e serviços para outros países”, diz Antonio Carlos Alvarez Justi.
Qualificação Profissional
A qualificação profissional ocorre paralelamente a todo o investimento previsto em infraestrutura. Por isso, por intermédio do Plano de Qualificação Profissional do Prominp, lançado em 2006, graças à Petrobras e outras empresas, pessoas que sequer sabiam ler e escrever há pouco tempo têm, hoje, formação técnica e uma profissão. No âmbito do programa, serão investidos 228 milhões de reais até 2010 no treinamento de 78.000 pessoas em 13 estados. E, como um estudo recente identificou a necessidade de qualificar mais 207.000 pessoas até 2013, mais pessoas serão capacitadas para atuar na indústria naval brasileira revitalizada.
A qualificação profissional ocorre em paralelo à revitalização da indústria naval
Até 2010, 78.000 pessoas serão capacitadas para atuar na indústria naval revitalizada
Ainda há muito trabalho pela frente, mas a indústria se revitaliza mais a cada dia. Nesse Até 2010, 78.000 pessoas serão capacitadas para atuar na indústria naval revitalizada esforço, a Petrobras faz a sua parte. Contribui para a recuperação da indústria naval brasileira, gera empregos, qualifica pessoal e, assim, reafirma seu compromisso com o desenvolvimento sustentável do Brasil, o maior mercado em que atua.