DO TOTAL DE INVESTIMENTOS DA PETROBRAS, EM 2008, 11,5% DESTINARAM-SE À ÁREA INTERNACIONAL, COM FOCO NA AMPLIAÇÃO DAS ATIVIDADES DE REFINO E DISTRIBUIÇÃO
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RESULTADOS POSITIVOS FRENTE À INSTABILIDADE ECONÔMICA MUNDIAL
No segundo semestre de 2008, as mudanças no cenário econômico internacional provocaram efeitos globais, como instabilidades nas cotações do barril de petróleo, volatilidade nas bolsas de valores, restrição de acesso ao mercado de crédito e consequente elevação dos custos de novas operações.
Mesmo diante desse panorama, a Petrobras apresentou resultados positivos em seu desempenho operacional, econômico e financeiro no ano. O lucro líquido da companhia atingiu recorde de R$ 33 bilhões, calculado a partir das mudanças nas práticas contábeis brasileiras (Lei 11.638/07, sobre elaboração e divulgação de demonstrações financeiras para sociedades de grande porte). O lucro, 53% superior ao de 2007, deve-se principalmente ao aumento da produção total e dos preços médios de realização de petróleo e derivados, maior volume de vendas, além dos ganhos relativos a mudanças no câmbio.
Com um crescimento de 26% em relação a 2007, a receita operacional líquida foi de R$ 215,1 bilhões, enquanto a geração operacional de caixa (EBITDA) foi de R$ 57,2 bilhões, um aumento de 14%.
Os investimentos da companhia também apresentaram volume recorde, totalizando R$ 53,3 bilhões, 18% superior ao de 2007. A área de exploração e produção recebeu R$ 26,2 bilhões (49,1% do total), o que contribuiu para a reposição de reservas e para o conhecimento de reservatórios da camada pré-sal (em águas ultraprofundas da costa brasileira). Os investimentos em abastecimento foram de R$ 12 bilhões (22,5%), com destaques para expansão da capacidade do refino, atendimento dos padrões de qualidade e construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).
Os demais investimentos foram direcionados às áreas de gás e energia (13,5%), internacional (11,5%), corporativa (2,3%) e distribuição (1%).
As refinarias da companhia foram responsáveis pela produção total de 1,97 milhão de barris de derivados por dia, sendo utilizados 91% da capacidade instalada no Brasil e 61% da capacidade nos demais países
Com a tendência de queda das principais bolsas mundiais, os papéis da Petrobras (ações e recibos) acompanharam o desempenho negativo da Bovespa e do Índice Dow Jones. O valor de mercado ficou em R$ 224 bilhões, uma diminuição de 52,1% em relação ao ano de 2007.
A linhada aos princípios de disciplina de capital, a companhia incorporou medidas rigorosas para o controle de seus custos. Esse fator contribuiu para a manutenção de suas metas de crescimento, com uma carteira de projetos bem estruturada e de retorno elevado.
Outro destaque operacional foi a produção da Petrobras, que atingiu a marca de 2,4 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) de óleo e gás natural, um aumento de 4,3% em relação ao ano anterior. Também foram produzidos 1,979 milhão de barris de óleo, líquido de gás natural (LGN) e condensado e 421 mil boed de gás natural. As operações no Brasil respondem por 90,7% da produção total, com 2,176 milhões de boed. O início da produção na camada pré-sal na Bacia de Campos e a produção de gás natural no território brasileiro (17,8% superior a 2007) foram destaques em 2008.
Segundo os critérios da Society of Petroleum Engineers (SPE), o volume de reservas provadas de óleo, condensado e gás natural da Petrobras, em 31 de dezembro de 2008, alcançou 15,08 bilhões de barris de óleo equivalente (boe), 93% em território brasileiro.
As refinarias da companhia foram responsáveis pela produção total de 1,97 milhão de barris de derivados por dia, sendo utilizados 91% da capacidade instalada no Brasil e 61% da capacidade nos demais países. A diminuição de 3,7% da produção de derivados em relação a 2007 deve-se principalmente à venda de refinarias na Bolívia e paradas programadas na Argentina e nos Estados Unidos.
As vendas totais da companhia somaram 3,37 milhões de boed, incluindo exportações, gás natural e vendas internacionais, o que representa um aumento de 4,2% em relação ao ano anterior. No Brasil, onde o crescimento foi de 5,5%, os principais produtos em volume de vendas foram o diesel (34%), a gasolina (15%), o gás natural (15%) e o gás liquefeito de petróleo (GLP) (10%).
FATOS RELEVANTES
> em abril, foi aprovada a criação de uma gerência executiva responsável pela coordenação das atividades de exploração e produção na camada pré-sal.
> em junho, foi criada a subsidiária Petrobras Biocombustível s.a., cujo objetivo é desenvolver a comercialização de etanol e a produção de biodiesel e consolidar a atuação da petrobras no segmento. A partir de 2009, a empresa passa a operar três usinas de produção comercial de biodiesel da petrobras, segundo concessão da Agência Nacional do Petróleo, gás natural e biocombustíveis (ANP). Duas dessas usinas foram inauguradas em 2008; a terceira tem início de produção previsto para janeiro de 2009.
> com obras iniciadas em março, o complexo petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) processará 150 mil barris de petróleo por dia para produção de matérias-primas petroquímicas e derivados a partir de 2012. O complexo será composto por uma unidade petroquímica básica, central de utilidades, unidades de segunda geração, centro de capacitação de empresas e trabalhadores, além de uma central de escoamento de produtos líquidos.
> com início de operações previsto para 2011, a refinaria Abreu e Lima s.a. foi constituída em março de 2008 como sociedade anônima de capital fechado. A unidade conta com investimentos de us$ 4,05 bilhões e terá capacidade para processar 230 mil barris de petróleo por dia e produzir derivados com baixo teor de enxofre.
> em maio, a Petrobras controladora e sua subsidiária petroquisa ampliaram suas participações na Braskem, empresa brasileira de petroquímica, passando a deter 30% do capital votante. E, em dezembro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou a aquisição pela petrobras dos ativos do grupo Ipiranga, relacionados aos negócios de distribuição e revenda de combustíveis e de lubrificantes e graxas nas regiões norte, nordeste e centro-oeste do brasil, além da produção e distribuição de asfaltos no país.
> a Petrobras também concluiu a operação de aquisição da totalidade das ações de emissão da Termobahia S.A., em abril. Em julho, a Petrobras distribuidora transferiu suas participações acionárias em empresas de energia para a petrobras controladora, com a criação da gerência geral de negócios de energia.
> entre os novos empreendimentos, serão construídas duas refinarias premium para produção de derivados de elevada qualidade e baixo teor de enxofre a partir do processamento de petróleo pesado e ácido, ambas na região nordeste.
> após aprovada pela assembleia geral extraordinária de acionistas, a proposta de desdobramento das ações da petrobras foi efetivada em abril. Com isso, cada ação ordinária e preferencial passou a ser representada por duas ações. O capital social da companhia passou a ser composto de 8.774.076.740 ações sem valor nominal.
> no início do ano, foram furtados equipamentos que continham informações consideradas importantes para a companhia em instalações de empresa que presta serviços especializados à petrobras. As ações da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) resultaram na prisão dos envolvidos e na recuperação dos materiais.
ATUAÇÃO INTERNACIONAL
A Petrobras, por meio de unidades, subsidiárias ou escritórios de representações comerciais e financeiras, atua em 28 países, incluindo o Brasil. A companhia possui atividades de exploração e produção em 20 países; de refino em quatro; de distribuição em seis; de petroquímica e energia elétrica em dois; e escritórios de representação em quatro. A subsidiária Petrobras Internacional Braspetro B.V. (PIB BV) participa em sociedades com atuação fora do Brasil em vários segmentos da indústria de óleo e gás.
Para o período de 2009 a 2013, é previsto o investimento na área internacional de us$ 15,9 bilhões, dos quais 79% serão voltados para exploração e produção.
Veja o Mapa de Atuação PetrobrasPRESENÇA NO MERCADO EXTERNO
Em 2008, do total de investimentos da Petrobras no ano, foram alocados 11,5% dos recursos para a área internacional (atuação fora do Brasil), com foco na ampliação das atividades de refino e distribuição. Alguns destaques são a assinatura do acordo de compra da participação da ExxonMobil na Esso Chile Petrolera, aumentando a participação da companhia no segmento de distribuição de combustíveis na América Latina, e a conclusão da compra de 87,5% das ações da refinaria japonesa Nansei Sekiyu, em Okinawa. Com capacidade para processar 100 mil barris de petróleo por dia (bpd) e de armazenar 9,6 milhões de barris de derivados, a refinaria oferece apoio logístico para distribuição dos produtos da companhia no mercado asiático.
Como estratégia de expansão no Golfo do México, nos Estados Unidos, a Petrobras arrematou em leilão 23 novos blocos exploratórios, passando a ter participação em 259 blocos marítimos (operando 161 deles). A companhia também possui direitos exploratórios em áreas terrestres do país, no Texas.
No Equador, a Petrobras e o governo do país assinaram acordo que prorroga por um ano a negociação sobre os contratos de concessão do campo unificado de Palo Azul e do bloco 18, em que a Petrobras tem participação. Um novo modelo contratual deve ser apresentado pelo governo equatoriano. Já o bloco 31 foi devolvido ao Estado, conforme acordo estabelecido, por conta da dificuldade de seu desenvolvimento.
Associados aos impactos comuns às atividades do setor de óleo e gás, alguns riscos são considerados na atuação internacional da Petrobras, como os de mercado (preços, taxas de juros e câmbio, queda dos níveis de consumo), riscos políticos e regulamentadores, inerentes ao negócio (produção, reservas e concorrências). Em aquisições ou entrada em atividade em alguns países, há também riscos de rejeição por parte da comunidade do entorno e de clientes diretos, pela natureza da atividade ou pelo fato de ser sediada em outro país.
No entanto, entre as oportunidades identif icadas para a área internacional, destacam-se a ampliação dos negócios da companhia, a ampliação da visibilidade da marca Petrobras, a difusão das boas práticas a investidores e outros públicos, além do desenvolvimento de novas formas de energia, como os biocombustíveis.
PETROBRAS EM NÚMEROS
| Patrimônio Líquido (em R$ mil) | ||
|---|---|---|
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| Capital social realizado | 78.966.691 | |
| Reservas de capital | 514.857 | |
| Reservas de reavaliação | 10.284 | |
| Reservas de lucros | 58.643.049 | |
| Ajustes acumulados de conversão | 636.264 | |
| Ajustes de avaliação patrimonial | (405.863)(2) | |
| Total | 138.365.282(1) | |
- 1) consolidado conforme demonstrações contábeis em 31 de dezembro de 2008
- 2) valores entre parênteses são negativos.
Em 2008, não houve a utilização, como nos anos anteriores, de recursos provenientes do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), incentivo financeiro do governo brasileiro.
| Ativo (em R$ mil) | ||
|---|---|---|
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| Circulante (2) | 63.575.278 | |
| Não circulante (realizável a longo prazo) | 21.254.843 | |
| Não circulante (investimentos) | 5.106.495 | |
| Não circulante (imobiliário) | 190.754.167 | |
| Não circulante (intangível) | 8.003.213 | |
| Não circulante (diferido) | 3.469.846 | |
| Total | 292.163.842 (1) | |
- 1) consolidado conforme demonstrações contábeis em 31 de dezembro de 2008.
- o ativo circulante inclui: caixa e equivalentes de caixa; títulos e valores imobiliários; contas a receber; líquidas; dividendos a receber; estoues; impostos; contribuições e paticipações; desepesas; outros atvios circulantes.
| Demonstração de Valor Adicionado Exercício findo em dezembro de 2008 e de 2007 (em R$ mil) | ||
|---|---|---|
| 2008 | 2007 | |
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| Receitas | 315.933.330 | 246.107.023 |
| Vendas de mercadorias, produtos e serviços | 268.936.483 | 220.153.532 |
| Receitas referentes à construção de ativos próprios | 47.163.873 | 26.057.647 |
| Provisão para créditos de liquidação duvidosa - constituição | (167.026) | (104.156) |
| Insumos adquiridos de terceiros | (166.732.054) | (110.292.287) |
| Custos de produtos, mercadorias e serviços vendidos | (53.989.794) | (29.888.395) |
| Materiais, energia, serviços de terceiros e outros | (52.590.649) | (42.890.479) |
| Perda/recuperação de valores ativos | (2.658.224) | (480.812) |
| Outros | (57.493.387) | (37.082.601) |
| Valor adicionado bruto | 149.201.276 | 135.814.736 |
| Retenções (Depreciação e amortização) | (11.631.984) | (10.695.826) |
| Valor adicionado líquido produzido pela companhia | 137.569.292 | 125.118.910 |
| Valor adicionado recebido em transferência | 3.914.124 | 2.514.692 |
| Resultado de equivalência patrimonial | (115.790) | (367.361) |
| Receitas financeiras | 3.494.430 | 2.417.659 |
| Outros | 535.484 | 464.394 |
| Valor adicionado a distribuir | 141.483.416 | 127.633.602 |
| Distribuição do valor adicionado | 141.483.416 | 127.633.602 |
| Pessoal | 14.526.830 | 14.163.085 |
| Renumeração direta | 10.448.120 | 8.052.873 |
| Benefícios | 3.478.036 | 5.603.033 |
| FGTS | 600.674 | 507.179 |
| Impostos, taxas e contribuições | 85.112.615 | 73.919.111 |
| Federais | 62.625.920 | 50.810.506 |
| Estaduais | 22.338.990 | 22.993.351 |
| Municipais | 147.705 | 115.254 |
| Renumeração de capitais de terceiros | 10.945.676 | 16.296.791 |
| Juros | 1.891.069 | 7.385.853 |
| Aluguéis | 9.054.607 | 8.910.938 |
| Renumeração de capitais próprios | 30.898.295 | 23.254.615 |
| Juros sobre capital próprio e dividendos | 9.914.706 | 6.580.557 |
| Lucros retidos/prejuízo do exercício | 23.073.086 | 14.931.232 |
| Participações de não controladores nos lucros retidos | (2.089.497) | 1.742.826 |
- 1) o valor adicionado a distribuir equivale às receitas, abatidas dos insumos adiquiridos de terceiros e das retenções (depreciação e amortização) e somadas ao valor adicionado recebido em transferência.
- 2) a distribuição do valor adicionado é relaizada entre governo (60%), acionistas (22%), pessoal (10%) e terceiros (8%).
- 3) os valores de 2007 estão diferentes dos publicados no bsa 2007, resultado das mudanças nas práticas contábeis brasileiras (lei 11.638/07).
- Valores entre parênteses são negativos.

