REFERÊNCIA MUNDIAL EM BIOCOMBUSTÍVEIS

Princípio 9 - Incentivar o desenvolvimento e a difusão de tecnologias ambientalmentes responsáveis

De 2009 a 2013, serão investidos US$ 2,8 bilhões no segmento de biocombustíveis, com participação relevante nos negócios de biodiesel e de etanol.

Este valor representa um aumento de 87% em relação ao previsto anteriormente (US$ 1,5 bilhão), no Plano de Negócios 2008-2012. As metas projetadas visam alcançar, em 2013, a produção de 706 mil m³ de biodiesel e 1,25 milhão de m³ de etanol. Como desdobramento dessa estratégia da companhia, foi criada a subsidiária Petrobras Biocombustível S.A. em julho, com o objetivo de desenvolver e gerir projetos de produção desses combustíveis.

Além de atenderem parcela da crescente demanda mundial por energias originadas de fontes renováveis, o biodiesel e o etanol possibilitam o aumento da diversificação da matriz energética e a diminuição de emissões de gases do efeito estufa, por serem menos poluentes que combustíveis fósseis. Desde julho, todo o diesel comercializado no Brasil possui uma parcela de biodiesel (3%), de acordo com a legislação vigente no País. O Brasil tem 46% de sua matriz energética baseada em energia renovável, enquanto no mundo este percentual é de apenas 13%.

A atuação em biocombustíveis contempla também o desenvolvimento de tecnologias para produção de energia a partir de biomassa residual, como o bagaço e a palha de cana, a casca de arroz ou a serragem de madeira. Entres essas tecnologias está o bioetanol, álcool combustível produzido com a ação de enzimas sobre a celulose existente nos resíduos e que permitirá aumentar em 60% a produção do combustível em uma mesma área plantada.

Outro destaque é o HBIO, processo que permite obter óleo diesel com a mistura de óleos vegetais ao diesel de petróleo em determinadas condições de temperatura, pressão e hidrogenação. Outro processo é a produção em escala piloto, até dezembro de 2009, de 50 m³ de querosene de aviação a partir de matérias-primas renováveis (BIOQAV) para testes.

Um importante objetivo paralelo à produção do biodiesel é a promoção do desenvolvimento regional, priorizando o semi-árido brasileiro e o suprimento de matéria-prima advinda da agricultura familiar. A Petrobras conta com uma rede de 55 mil agricultores, que produzem parte das oleaginosas utilizadas em suas usinas para produção de biodiesel.

Para superar alguns desafios inerentes às atividades no segmento, a companhia busca:

  • > priorizar matérias-primas não-alimentícias, para evitar a competição com alimentos e os reflexos nos preços;
  • > evitar monoculturas, trazendo benefícios à biodiversidade e aos recursos naturais;
  • > evitar o avanço da produção de oleaginosas em áreas de conservação de biodiversidade e ecossistemas sensíveis;
  • > eliminar práticas inaceitáveis, como a utilização de mão-de-obra em regime análogo à escravidão na produção das matérias-primas, entre outras.

OUTRAS FONTES RENOVÁVEIS

Faz parte da estratégia da Petrobras no segmento de gás e energia investir em geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis. Serão investidos cerca de US$ 669 milhões nessa área, em projetos como a conclusão de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e a participação em novos negócios em energia elétrica, incluindo usinas eólicas.

A companhia planeja consolidar sua participação como agente no mercado energético participando de futuros leilões de energia elétrica promovidos pelo governo brasileiro. É prevista para 2009 a realização de um leilão de contratação de energia de reserva específico para empreendimentos de geração de energia elétrica de fonte eólica, o primeiro desse tipo no País. O início de suprimento é previsto para 2012, com prazo contratual de fornecimento de 20 anos.

Em operação há cinco anos, a Usina Eólica Piloto de Macau, no Rio Grande do Norte, é o primeiro projeto de energia eólica da companhia. Possui capacidade instalada de 1,8 MW e é capaz de evitar a emissão de 1.300 toneladas de CO2 equivalente por ano, ao substituir a energia de outras fontes mais intensivas em carbono. A usina já produziu mais de 24.500 MWh desde o início de sua operação, o que permitiu evitar emissão de aproximadamente 6 mil toneladas de CO2.

A Usina Eólica de Macau resultou também na primeira atividade de projeto de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) da Petrobras, registrada no conselho executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas para a Mudança Climática (UNFCCC).

Encontram-se em fase de conclusão as obras de cinco PCHs, com capacidade conjunta de 125,4 MW. Por definição, a potência de uma pequena central hidrelétrica não deve ultrapassar 30 MW. No Brasil, há crescente participação das PCHs no mercado de energia, por conta de incentivos regulatórios e outras vantagens, como prazos de implementação mais curtos que de hidrelétricas de maior porte, menores impactos ambientais e possibilidade de gerar créditos de carbono.

A energia solar é outra fonte renovável usada pela companhia, que conta com 2.180 m² de painéis solares, permitindo evitar a emissão de 309 toneladas de CO2. Essa energia é aproveitada para o aquecimento da água destinada a vestiários e refeitórios. Espera-se para 2009 a instalação de mais 4.648 m² de coletores.

A Petrobras desenvolve também diversos estudos voltados ao uso do hidrogênio como opção viável de energia. Uma das formas de obter o combustível é por meio de fontes renováveis, como a biomassa. O gás pode ser gerado a partir da gaseificação do bagaço da cana-de-açúcar, por exemplo. Esta tecnologia alinha-se ao compromisso da companhia de maximizar sua eficiência energética e desenvolver o uso de energias renováveis.