Novos negócios promovem expansão no exterior

A Petrobras intensificou sua expansão internacional em termos geográficos e tambémdiversificou negócios nos mercados em que já estava presente.A companhia encerrou 2008 atuando em 27 países e ampliando atuação nas Américas do Sul e do Norte, na Europa, na África e na Ásia.

AMÉRICA DO SUL

ARGENTINA –Em 2008, a Petrobras obteve aprovação regulatória da operação de aquisição da empresa Burlington Resources Argentina Holding Limited, por US$ 77,6 milhões, que detinha respectivamente 52,4% e 25,7% dos blocos de Parva Negra e Sierra Chata. Com a operação, a companhia, que já operava ambos os ativos, passou a deter 100% de participação em Parva Negra e 45,5% em Sierra Chata.

A produção no país atingiu 51,7 mil bpd de óleo e 8,2 milhões de m³/dia de gás natural, totalizando 100 mil boe diários. Destacaram-se as regiões da Bacia Austral, Medanito, Puesto Hernandez e Entre Lomas. As reservas no país atingiram 290,6 milhões de boe.

Além dos ativos de E&P, a Petrobras possui as refinarias Ricardo Eliçabe e San Lorenzo (com capacidade conjunta de 81 mil bpd), que em 2008 processaram 71,4 mil bpd, com um fator de utilização de 88%. A companhia também detém 28,5% de participação na Refinaria Del Norte (Refinor), via sua subsidiária PESA. No setor de petroquímicos e fertilizantes, são quatro unidades: Puerto General San Martin, Zarate, Campana e Innova, esta última produzindo estireno, poliestireno e etilbenzeno.

A Petrobras também possui uma termelétrica a gás natural (Genelba), uma hidrelétrica (Pichi Picu Leufu) e a Transportadora Gás Del Sur, com a maior rede de gasodutos do país, além das participações na Edesur (distribuidora de energia em Buenos Aires) e na Companhia Mega, que comercializa etano, propano, butano e gasolina natural. Além disso, a companhia comercializa combustíveis e derivados em suas 651 estações de serviço.

BOLÍVIA – A Petrobras manteve sua atuação nos segmentos de exploração e produção de gás e energia, concentrada nos campos de San Alberto e San Antonio. A produção em 2008 foi de 8,4 mil bpd de óleo e 7,8 milhões de m³/dia de gás natural, totalizando 54,5 mil boed, 10% a menos do que em 2007. Esta variação foi motivada pela execução das cláusulas contratuais que estabelecem o repasse da produção, segundo os critérios acordados com a estatal boliviana, apenas a partir de setembro de 2007. Desta forma, os efeitos da queda de produção só foram sentidos integralmente em 2008, já que de janeiro a agosto de 2007 foram mantidos os níveis de produção anteriores ao novo contrato.

CHILE – Em agosto, a Petrobras assinou acordo com a ExxonMobil para adquirir, em 2009, por cerca de US$ 400 milhões, os ativos da empresa no país. Com a operação, a companhia passará a atuar no segmento de Distribuição, com 233 postos de serviço, sendo 109 próprios, entre outros ativos, além de comercializar produtos de aviação em 11 aeroportos. A transação será concluída após a fase de integração dos sistemas operacionais e de informação.

COLÔMBIA – A Petrobras está presente nos segmentos de E&P e Distribuição, com ativos que englobam 68 estações de serviço, uma base de armazenamento e uma fábrica de lubrificantes em Puente Aranda, comercializando o volume total de 491 mil m³ de combustíveis. A produção no país em 2008 foi de 15,3 mil bpd de óleo e 24 mil m³ dia de gás natural, totalizando 15,5 mil boed.

EQUADOR – Em outubro, foi assinado acordo que estabelece o prazo de um ano para negociar a migração dos contratos de concessão do campo unificado de Palo Azul e do bloco 18, em que a Petrobras tem participação, para um novo modelo de contrato a ser apresentado pelo governo equatoriano. O bloco 18 teve produção média de 11,4 mil bpd.

Em 31 de dezembro, foi devolvido o bloco 31, segundo as condições estabelecidas em acordo com o governo. Os investimentos neste bloco somam cerca de US$ 200 milhões. Antecipando a dificuldade de desenvolvimento do bloco, a companhia já havia feito provisão para a baixa de ativos (write-off) em 2007.

PARAGUAI – A Petrobras manteve sua atuação no segmento de Distribuição, com 165 postos de gasolina e 55 lojas de conveniência em todo o território paraguaio. A companhia também tem ativos na comercialização de GLP, além de instalações para armazenamento e comercialização de combustíveis e produtos de aviação nos aeroportos de Assunção e Cidade Del Este. Em 2008, 344 mil m3 de produtos foram vendidos no país.

PERU – A companhia fez uma descoberta de gás e condensado no bloco 57, que explora em consórcio, detendo participação de 46,2%. Os testes de produção, ainda em andamento, registram vazão de 1 milhão de m3/dia de gás e 198 m3/dia de condensado. Os dados disponíveis são insuficientes para definir com exatidão os recursos descobertos, mas as dimensões do reservatório permitem acomodar volumes de cerca de 2 TCF (56 bilhões de m3). A produção média no país em 2008 foi de 14,1 mil bpd de óleo e 336 mil m³/dia de gás natural, totalizando 16,1 mil boed.

URUGUAI – Em 2008, foram comercializados 147,4 mil m3/dia de gás natural e um total de 458 mil m3 de combustíveis. A companhia atua no segmento de gás natural por meio de duas concessionárias de distribuição, nos mercados de Montevidéu e no interior do país, e também no segmento de distribuição de combustíveis, com uma rede de 89 postos de gasolina e instalações para comercialização de produtos de aviação, marítimos, petroquímicos e asfalto.

VENEZUELA – Em 2008, a produção foi de 12,7 mil bpd de óleo pesado e 222 mil m3/dia de gás, totalizando 14,1 mil boed. Com atuação em quatro blocos, a companhia estuda ampliar suas atividades no país, analisando a possibilidade de produzir petróleo extrapesado em Carabobo I, na faixa do Orinoco, em associação com a Petróleos de Venezuela (PDVSA).

AMÉRICA DO NORTE

ESTADOS UNIDOS – A Petrobras tem participação em 259 blocos marítimos no setor americano do Golfo do México, incluindo os 23 blocos arrematados no leilão realizado em março, sendo a operadora de 161. A companhia detém ainda direitos exploratórios em áreas terrestres no Texas.

O destaque em 2008 foi a participação na descoberta de hidrocarbonetos em águas ultraprofundas, no poço Stones, operado pela Shell, do qual a companhia detém 25%, em consórcio. O volume e a comercialidade da descoberta serão avaliados com perfurações adicionais. As perfurações iniciais demonstram o potencial deste reservatório, situado na área conhecida como Walker Ridge Quadrant, onde a companhia atualmente desenvolve a produção dos campos de Cascade e Chinook.

A produção média da Petrobras no Golfo do México foi de 4,6 mil boed, 60% menor do que a de 2007, em função de problemas de escoamento de produção no campo de Coulumb e do declínio da produção no campo de Cottonwood, além da temporada de furacões que paralisou temporariamente a produção da área.

No segundo ano de operação com a Petrobras como sócia, a Refinaria de Pasadena (PRSI), no Texas, com capacidade de 100 mil bpd, processou 68,8 mil bpd, em razão de paradas não programadas. Em outubro, a Câmara de Arbitragem, em processo internacional, proferiu sentença provisória considerando válida a opção de venda dos 50% de participação da Astra Oil Trading NV na PRSI à Petrobras America Inc., subsidiária da companhia nos EUA. Sendo a sentença confirmada, a companhia passará a deter 100% da PRSI e suas afiliadas.

MÉXICO – A Petrobras manteve sua participação em dois contratos de serviços múltiplos para a Pemex, nos blocos Cuervito e Fronterizo. A produção média de gás natural atingiu cerca de 414 mil m3/dia.

ÁFRICA

NIGÉRIA – Os projetos de Agbami (bloco OML 127) e Akpo (bloco OML 130) – campos gigantes na Bacia do Delta do Níger – constituem os principais investimentos da Petrobras no país, além do bloco exploratório OPL 315, onde a companhia atua como operadora.

Agbami, cujo pico de produção atingirá 250 mil bpd no início de 2010, iniciou sua produção em julho de 2008. A Petrobras detém 13% de participação nos investimentos do campo e participou ativamente de todas as fases de desenvolvimento da produção. Em Agbami está em operação o maior FPSO do mundo.

Akpo, que entra em produção em 2009, deverá atingir o pico de 185 mil bpd ainda este ano. A parcela da Petrobras nos investimentos do bloco OML 130 é de 20%. Ainda neste bloco foram descobertas outras três acumulações: Egina, Egina Sul e Preowei. O projeto de desenvolvimento de Egina encontra-se em análise pelos órgãos de controle do governo nigeriano.

No bloco OPL 315, no qual a companhia é operadora com 45% de participação, as atividades exploratórias estão em andamento, e a perfuração do primeiro poço está prevista para 2010. A Petrobras detém ainda 37,5% de participação no OPL 324, onde atua como operadora, tendo concluído os trabalhos exploratórios e os compromissos contratuais, sem perspectiva de novas descobertas.

ANGOLA – Destacaram-se as descobertas de óleo em N'Goma-1 e Sangos, confirmando o grande potencial do bloco 15/06, em que a companhia detém participação de 5%.

O bloco 2 na Bacia do Baixo Congo, onde a Petrobras detém 27,5% de participação, gerou uma produção média de 2,5 mil bpd em 2008. Nos demais blocos em que a Petrobras atua como operadora (6, 18 e 26) e participa de consórcio (34), continuam os trabalhos exploratórios.

LÍBIA – Na área 18 do setor líbio no Mar Mediterrâneo, na qual é operadora com 70% de participação, a Petrobras manteve o programa exploratório, realizando levantamentos sísmicos e interpretação geológica.

TANZÂNIA – O escritório local encontra-se em fase de abertura. A companhia está presente nos blocos 5 e 6, com 100% de participação. Em ambos foi dada continuidade ao programa exploratório, atendendo aos compromissos contratuais.

MOÇAMBIQUE – No bloco Zambezi Delta, em que a Petrobras possui 17% de participação, segue o cronograma exploratório, com a interpretação do levantamento sísmico realizado em 2008.

SENEGAL – A companhia detém participação de 40% no bloco Rufisque Profond, em águas profundas, que se encontra em fase de avaliação exploratória.

ÁSIA

IRÃ – A Petrobras cumpriu os compromissos contratuais com a realização de levantamentos sísmicos e perfuração de dois poços. Em Taftan-1 a descoberta de petróleo revelou-se subcomercial.

TURQUIA – Após a aquisição de dados sísmicos nos blocos Kirklarelli e Sinop, nas partes oeste e oriental do setor turco do Mar Negro, o ano de 2008 foi dedicado à continuidade das atividades exploratórias.

PAQUISTÃO – A companhia detém participação de 50% no bloco exploratório G, na Bacia dos Indus, no Oriente Médio, em parceria com a Oil and Gas Development Company Limited. O estudo de viabilidade técnica e econômica, em fase final, determinará a opção de ingresso no próximo período exploratório.

JAPÃO – Foi concluída a aquisição do controle da refinaria Nansei Sekiyu, em Okinawa, que tem capacidade para processar 100 mil bpd e armazenar 9,6 milhões de barris de derivados, além de oferecer apoio logístico (píeres e monobóia) para distribuição dos produtos da companhia no mercado asiático.

ÍNDIA – A companhia manteve a parceria com a estatal indiana Oil and Natural Gás Corporation, via contrato de exploração e produção em três blocos exploratórios na Bacia de Krishna Godavari, Mahanadi e Cauvery, na costa leste do país.

EUROPA

PORTUGAL – Ao longo do ano foram realizados investimentos em sísmicas, e os dados seguem em análise para decisão das atividades futuras. A companhia mantém um acordo que permite operar quatro blocos offshore na costa do país, na Bacia de Peniche, em parceria com as companhias portuguesas Galp Energia SGPS e Partex Oil and Gas.