Aumento da oferta de gás natural

A Petrobras concluiu projetos importantes de infraestrutura, no que se refere tanto a gasodutos como a gás natural liquefeito (GNL),dando continuidade ao processo de expansão da oferta de gás natural. A produção média da companhia, em 2008, atingiu 51,1 milhões de m3/dia, 17,8% a mais que em 2007.

Excluindo o gás usado no processo de produção, injeção e perdas, a oferta total doméstica, considerando os parceiros, foi de 29 milhões de m3/dia. Pelo gasoduto Bolívia-Brasil foi disponibilizada ao mercado brasileiro uma média de 29 milhões de m3/dia, um aumento de 12% em relação a 2007, com utilização de 100% da capacidade do gasoduto praticamente o ano todo. A oferta total ao mercado brasileiro foi, em média, de 58 milhões de m3/dia.

Para que essa movimentação fosse possível, foram investidos no ano R$ 6 bilhões em infraestrutura de transporte, 71% a mais do que em 2007. Além da expansão da malha, destacam-se a construção dos terminais de importação de GNL e o Plano de Antecipação da Produção de Gás (Plangás), que deverá elevar a oferta doméstica da Região Sudeste para 55 milhões de m3/dia até dezembro de 2010.

TRANSPORTE

A malha de gasodutos de transporte da companhia no País foi incrementada em 776 km, totalizando 6.933 km, com a entrada em operação dos seguintes dutos:

  • Cabiúnas (RJ) – Vitória (ES), trecho inicial do gasoduto Sudeste-Nordeste (Gasene), com 303 km e capacidade de 20 milhões de m³/dia, permite o envio do gás natural produzido na Bacia do Espírito Santo à Região Sudeste;
  • Catu (BA) – Itaporanga (SE), com 196 km e capacidade de 10 milhões de m³/dia, escoa o gás natural de Manati e do Gasene. Com a conclusão do gasoduto e o aumento de produção de Manati, o estado da Bahia passa a ser exportador de gás natural para a Região Nordeste;
  • Trecho Taubaté-Japeri do gasoduto Campinas-Rio, com 255 km e capacidade de 8,6 milhões de m³/dia. A entrada em operação do Taubaté-Japeri permite um aporte de até 1,6 milhão de m³/dia de gás ao mercado consumidor, ampliando a entrega dos volumes importados pelo gasoduto Bolívia-Brasil aos mercados do Sudeste;
  • Ramal de gasoduto do terminal de GNL de Pecém, com 22 km e capacidade de 7 milhões de m³/dia.

As obras do Gasene, que interligam as malhas Sudeste e Nordeste, estão dentro do cronograma. O trecho Cacimbas-Catu, iniciado em 2008, de 954 km e capacidade de 20 milhões de m3/dia, começará a operar no início de 2010.

Na Região Norte, o gasoduto Urucu-Coari-Manaus, com 660 km, deverá entrar em operação no segundo semestre de 2009. Este empreendimento possibilitará o envio do gás de Urucu para consumo em Manaus com benefícios para o meio ambiente, devido à substituição do óleo combustível e do diesel consumidos nas usinas termelétricas.

Outros projetos iniciados em 2008:

  • Gasduc III, de 183 km: aumenta a capacidade de transporte entre Cabiúnas e Rio de Janeiro (conclusão em 2009);
  • Caraguatatuba-Taubaté, de 96 km: possibilita o escoamento da produção de Mexilhão (conclusão em 2010);
  • Paulínia-Jacutinga, de 93 km: permite o fornecimento de gás natural ao sul do estado de Minas Gerais (conclusão em 2009);
  • Japeri-Reduc, de 45 km: permite o escoamento do GNL e gás natural para atendimento ao mercado termelétrico da Região Sudeste (conclusão em 2009).

GÁS NATURAL LIQUEFEITO

O projeto GNL Petrobras dará maior flexibilidade e segurança à oferta de gás natural aos mercados térmico e não-térmico. O Brasil é pioneiro ao adotar o modelo de transferência de GNL de um navio supridor para outro navio regaseificador por meio de braços criogênicos – capazes de suportar temperaturas de cerca de 160 ºC negativos – instalados em um píer fixo.

Em agosto de 2008, foi inaugurado o primeiro terminal de regaseificação de GNL do País, no Porto Pecém, no Ceará, dando suporte também à atuação da Petrobras como agente no mercado internacional de GNL. O terminal de Pecém tem capacidade para regaseificar 7 milhões de m3/dia.

Para interligar o terminal de Pecém à malha de transporte da Região Nordeste (Gasfor), foi construído um ramal de gasoduto, com a mesma capacidade de 7 milhões de m³/dia. O gás processado em Pecém será usado, prioritariamente, para a geração de energia elétrica nas usinas Termoceará e Termofortaleza, no Ceará, e Jesus Soares Pereira, no Rio Grande do Norte.

Para a regaseificação do GNL a Petrobras afretou duas embarcações: o navio Golar Spirit, que chegou ao Brasil em julho de 2008, e o Golar Winter, em processo de conversão em Cingapura, com previsão de chegada ao Brasil em maio de 2009. No trajeto para o Brasil, o Golar Spirit fez o primeiro carregamento de GNL em Trinidad & Tobago. A embarcação tem capacidade de regaseificação de 7 milhões de m³/dia e de armazenamento de 129 mil m³ de GNL, o equivalente a 77 milhões de m³ de gás natural.

O segundo terminal de regaseificação, com capacidade de 20 milhões de m3/dia, na Baía de Guanabara, deverá ser inaugurado no início de 2009. O ramal de gasoduto do terminal de GNL, com 15 km de extensão, foi concluído em 2008.

COMERCIALIZAÇÃO

As negociações dos novos contratos de fornecimento de gás natural da Petrobras para as companhias distribuidoras estaduais prosseguiram em 2008. Os novos contratos foram assinados com oito distribuidoras: Algás, BR-ES, CEG, Ceg-Rio, Cegás, Copergás, Potigás e Sergas.

DISTRIBUIÇÃO

Em 2008, as companhias distribuidoras venderam, em média, 50 milhões de m3/dia de gás natural, um acréscimo de 20% em relação a 2007. A Petrobras mantém participação em 19 das 27 companhias estaduais distribuidoras no Brasil, com percentuais entre 24% e 100%.

Dos segmentos não termelétricos, destacou-se o de cogeração, com crescimento de 18% em relação a 2007. O consumo dos setores residencial, comercial e industrial aumentou 9%, 4% e 2%, respectivamente, enquanto o do segmento automotivo caiu 5%.

Já o consumo de gás para a geração de energia elétrica subiu 150% em relação a 2007, observando-se uma elevada produção das termelétricas praticamente o ano todo.