Avanços tecnológicos impulsionam o refino

As 11 refinarias da Petrobras instaladas no país processaram 1.765 mil bpd de carga fresca e produziram 1.787 mil bpd de derivados, em 2008 utilizando, em média, 90,9% da capacidade de refino. Do volume total do petróleo processado, 77,9% vieram dos campos brasileiros.

Em julho, foi criado um programa para maximizar a produção de óleo diesel a partir da otimização das condições operacionais das refinarias. Com esse programa, a Petrobras deixou de importar 4,9 milhões de barris de diesel, o que significou uma economia da ordem de US$ 457 milhões.

A Petrobras vem investindo em novas unidades de refino e em melhorias tecnológicas para converter o óleo pesado produzido no Brasil em derivados de maior valor. Esses investimentos se fazem mais prementes devido ao aumento da produção nacional com perfil de óleo pesado. Em 2008, entrou em produção a unidade de coqueamento retardado da Refinaria Duque de Caxias (Reduc). Em 2009, o mesmo ocorrerá na Refinaria Henrique Lage (Revap) e, em 2011, na Presidente Getúlio Vargas (Repar).

Esses investimentos conferem maior flexibilidade à companhia para definir a cesta de derivados a ser produzida de acordo com a demanda e os preços demercado, podendo-se optar pelo uso de óleo importado – mais leve e que possibilita produzir derivados de maior valor – ou pelo refino do óleo pesado nacional.

A melhoria de qualidade dos produtos recebeu importantes investimentos em 2008. Estão em andamento projetos destinados à qualidade do diesel – nas refinarias Henrique Lage (Revap), Getúlio Vargas (Repar), Capuava (Recap) e Landulpho Alves (RLAM) – e da gasolina, nas refinarias de Presidente Bernardes (RPBC), Duque de Caxias (Reduc), Gabriel Passos (Regap), Landulpho Alves (RLAM), Getúlio Vargas (Repar), Henrique Lage (Revap), Capuava (Recap) e Paulínia (Replan).

Em 2008, foram concluídos os projetos nas refinarias Gabriel Passos e Getúlio Vargas para adotar a tecnologia HBIO, que possibilita a inclusão de óleo vegetal na corrente de diesel, resultando em produto de alta pureza. As refinarias Presidente Bernardes, Henrique Lage, Duque de Caxias e Paulínia também estão adotando o uso dessa tecnologia pioneira da Petrobras, que traz avanços na qualidade do diesel e na proteção ambiental.

Já a capacidade de produção de propeno, produto de alto valor agregado, cresceu com a entrada em operação da unidade de propeno da Refinaria Henrique Lage e com os investimentos e otimizações de processo na Refinaria de Capuava, levando a Petrobras a disponibilizar ao mercado 335.921 toneladas. Somadas às 64.689 toneladas produzidas pela Refap S.A., a oferta totalizou 400.610 toneladas. As unidades de propeno das refinarias Gabriel Passos (Regap) e Paulínia (Replan), com início de produção previsto para 2009, acrescentarão 370 mil toneladas anuais à capacidade instalada da Petrobras.

Em 2008, a Petrobras comercializou 1.748 bpd de derivados de petróleo no mercado interno, um aumento de 1,3% em relação a 2007

NOVOS EMPREENDIMENTOS

Com previsão para operar a plena carga em 2011, a Refinaria do Nordeste (Refinaria Abreu e Lima), em Pernambuco, terá capacidade para processar até 230 mil barris de petróleo pesado e produzirá até 162 mil bpd de diesel, seu principal produto. A refinaria também produzirá GLP, nafta petroquímica, óleo combustível para navios e coque de petróleo.

Foram executadas 65% das obras de terraplanagem, e o projeto executivo será concluído em 2009. Os procedimentos licitatórios para a construção das unidades de processamento e utilidades também deverão ser concluídos em 2009, mantendo-se em andamento o processo de aquisição de equipamentos.

REFINARIAS PREMIUM - A Petrobras construirá duas refinarias premium para produzir derivados de elevada qualidade e baixo teor de enxofre a partir do processamento de petróleo pesado e ácido. O perfil de produção dessas refinarias volta-se basicamente para o diesel, com produção também de GLP, nafta, óleo combustível, asfalto e QAV. Parte do coque produzido será consumida nas próprias unidades para geração de hidrogênio e energia.

A Refinaria Premium I será construída no Maranhão e processará 600 mil bpd, com entrada em operação da primeira fase prevista para 2013, e da segunda para 2015. A Premium II será construída no Ceará, no Complexo Industrial e Portuário de Pecém, com capacidade para processar 300 mil bpd, e início de operação da primeira fase projetado para 2014, e da segunda para 2016.

COMERCIALIZAÇÃO

O aumento da produção nacional de petróleo, a plena utilização da estrutura logística no Brasil e no exterior e o aproveitamento de oportunidades comerciais externas permitiram à Petrobras alcançar, em 2008, excelentes resultados na comercialização, tanto no mercado interno quanto no externo.

MERCADO INTERNO - Em 2008, a Petrobras comercializou no mercado interno 1.748 mil bpd de derivados de petróleo, um aumento de 1,3% em relação a 2007. A companhia bateu o recorde de vendas em outubro, mês em que os efeitos da crise internacional sobre as vendas começaram a ser sentidos, comercializando 1.779 mil bpd.

Os principais produtos em volume de vendas foram o óleo diesel, a gasolina, o GLP, a nafta, o óleo combustível e o QAV. Este último registrou o maior crescimento percentual de vendas (7,1%), devido ao bom desempenho da economia nacional, à valorização média do real e ao aumento do número de voos, principalmente internacionais.

As vendas de diesel subiram 6,1%, superando o crescimento da economia brasileira. O suprimento para atender às termelétricas no início do ano, bem como o aumento do PIB, da safra de grãos e de cana-de-açúcar e do investimento em obras públicas foram os principais fatores que impulsionaram as vendas desse derivado.

Já as vendas de gasolina cresceram 4,3%, refletindo o crescimento de quase 60% da frota de veículos flex-fuel, compensando, assim, a queda da frota exclusivamente a gasolina. Esse comportamento do mercado automobilístico, no entanto, contribuiu muito mais para a significativa elevação do consumo de álcool. Além disso, verificou-se forte expansão do consumo das famílias, refletindo um aumento da renda familiar.

A comercialização de GLP subiu 3,4%, resultado atrelado ao crescimento demográfico, ao maior consumo das famílias e ao maior uso industrial. As vendas de óleo combustível (sem bunker) sofreram redução de 9,4%, afetadas basicamente pela substituição do produto por outros energéticos. As vendas de nafta registraram queda de 9%, devido, principalmente, às paradas das centrais petroquímicas ao longo do ano.

EXPORTAÇÕES X IMPORTAÇÕES - A exportação de petróleo em 2008 atingiu a marca inédita de 439 mil bpd, registrando um aumento de 24,4% em relação ao ano anterior; já a de derivados caiu 10,7%, ficando em 234 mil bpd. As importações de petróleo totalizaram 373 mil bpd, com redução de 4,4%, enquanto as de derivados aumentaram 33,1%, atingindo 197 mil bpd.

Ao longo do ano, a maior atividade econômica do país repercutiu nos níveis de comercialização externa de derivados. Apesar do contínuo investimento no parque de refino e do incremento da produção, a Petrobras manteve seu perfil de importadora de destilados médios (diesel e querosene de aviação) e exportadora de gasolina.

Em relação ao diesel, a importação foi da ordem de 100 mil bpd, indicando um crescimento de 20,5% em relação a 2007, tendo como principais fontes de suprimento os produtores do Médio e Extremo Oriente. O QAV registrou o crescimento de importação mais expressivo (92,9%), totalizando 26,5 mil bpd.

Em relação às exportações, a gasolina se mantém o produto mais representativo, contabilizando 40 mil bpd em 2008, com queda de 31,4% em relação a 2007. Esse comportamento das exportações de gasolina condiz com o crescimento na demanda interna e também com as paradas programadas em algumas unidades das refinarias da Petrobras.

As operações offshore com petróleo e derivados realizadas integralmente no exterior alcançaram a média de 552 mil bpd, 5,8% menor que a de 2007. Já a consolidação das operações de bunker de baixo teor de enxofre no noroeste da Europa elevou em 51% as vendas do produto em 2008.

NOVOS PRODUTOS - A Petrobras lançou o Add Cleaner, um óleo combustível com aditivos de ação dispersante e detergente. Testes nos laboratórios de combustão do Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT) do estado de São Paulo indicaram uma redução de 68% na emissão de material particulado em comparação com um óleo combustível comum.