Mudanças no cenário mundial afetam mercado de petróleo

Mudanças bruscas da economia mundial em 2008 afetaram o mercado de petróleo, com impactos diretos sobre a trajetória dos preços da commodity. A cotação do barril do Brent variou de um pico de US$ 145,66 a um mínimo de US$ 34,04, em grande parte devido às oscilações da demanda durante o ano. O valor médio do Brent ficou em US$ 96,99 o barril, superando em 33,7% a cotação média de 2007.

O crescimento da demanda dos países asiáticos por óleos leves no primeiro semestre de 2008, em comparação com o mesmo período do ano anterior, foi a principal causa do rápido aumento de preços durante a primeira metade do ano. No entanto, a imediata redução na procura dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no segundo semestre de 2008, aliada às expectativas pessimistas sobre a evolução da demanda, resultou na queda do patamar de preços a partir da segunda metade do ano. Nem a relativa estabilidade da procura não-OCDE, especialmente China e Índia, se mostrou suficiente sequer para manter os preços entre US$ 80 e US$ 100 o barril, semelhante à faixa de valores observada no último trimestre de 2007 e no primeiro trimestre de 2008.

Do lado da oferta, a queda da produção não-Opep, puxada pela Rússia, México e Reino Unido, foi em parte compensada pelos maiores volumes da Opep entre o segundo e o terceiro trimestres do ano, quando a Arábia Saudita, atendendo aos pedidos da Agência Internacional de Energia, decidiu elevar sua produção em cerca de 300 mil bpd. Entretanto, o agravamento das condições macroeconômicas mundiais a partir de meados do ano, especialmente nos Estados Unidos e Europa, provocou uma queda na demanda da commodity, levando a Opep a anunciar um corte de 1,5 milhão de bpd em suas cotas de produção a partir de novembro. Nesse contexto, o nível médio dos estoques de petróleo aumentou em relação a 2007, gerando um superávit no balanço oferta-demanda mundial do produto em 2008.

Fatores de natureza geopolítica, como os problemas com as guerrilhas na Nigéria, as tensões na fronteira Turquia-Iraque e a incursão russa na Geórgia, além da questão nuclear do Irã, entre outras, parecem ter desempenhado um papel secundário no mercado de petróleo em 2008, em face do cenário econômico.