Base acionária cresce 80% na Bovespa

Os mercados acionários mundiais caracterizaram-se pela incerteza e crescente aversão ao risco dos agentes econômicos ao longo de 2008. O acirramento da crise hipotecária norte-americana, os consequentes prejuízos registrados pelas instituições financeiras internacionais e as expectativas de menores taxas de expansão da economia mundial contribuíram para o quadro de deterioração, em escala global, das expectativas de consumidores e investidores.

Para a Petrobras, uma das consequências do agravamento do quadro econômico e financeiro global foi a reversão da trajetória de alta do preço do barril de petróleo, que seguiu a tendência das demais commodities. Diante da previsão de menor crescimento mundial, o preço do óleo caiu no segundo semestre do ano, passando de US$ 93,89 por barril, ao final de 2007, para US$ 41,76 por barril, ao final de 2008, uma queda de 56%.

O clima de incertezas conduziu a uma forte volatilidade nas bolsas de valores, e, apesar da previsão de que as economias dos países desenvolvidos seriam as mais afetadas, os mercados acionários dos países emergentes estiveram expostos a um processo de realização de lucros. Após sucessivos ganhos anuais, a deterioração das expectativas promoveu, em 2008, significativas quedas nos valores de mercado de companhias de diferentes segmentos, o que demonstrou ser um movimento de caráter geral, não dirigido a um setor específico.

Apesar dos bons resultados dos diferentes segmentos da companhia, das novidades positivas no campo operacional, como as diversas descobertas de petróleo e gás, da geração de caixa e do lucro recorde do ano, as ações e recibos da Petrobras também foram alvo deste efeito de realização de ganhos nos mercados.

As ações ordinárias (PETR3) e preferenciais (PETR4), negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), recuaram 48% no ano. Na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), onde se negociam os recibos ordinários (PBR) e preferenciais (PBR/A), as perdas foram de 57%. Os diferenciais de perdas entre estes mercados estiveram atrelados, fundamentalmente, ao comportamento da taxa de câmbio, que apresentou significativa desvalorização do real no ano.

As quedas de valores das ações e dos recibos foram acompanhadas pelo aumento dos volumes financeiros negociados tanto no mercado brasileiro como no americano. Se em 2003 os volumes diários na Nyse e na Bovespa atingiam cerca de US$ 60 milhões, em 2008 este valor se aproximou de US$ 2 bilhões. O acréscimo do volume negociado na Nyse demonstra que a companhia apresenta crescente e elevada liquidez no principal mercado mundial, capacidade de captação de recursos e potencial de valorização de seus ativos mobiliários em um quadro de instabilidade e restrição de crédito. No ano, as ações e os recibos da Petrobras foram os mais negociados na Bovespa e na Nyse.

AMPLIAÇÃO DA BASE DE ACIONISTAS

Em 24 de março de 2008, foi aprovada, em Assembléia Geral Extraordinária, a proposta de desdobramento das ações representativas do capital social da Petrobras. Em 25 de abril, para cada ação foi concedida uma nova ação da mesma espécie. Mesma proporção de distribuição foi verificada para o caso dos recibos negociados no mercado americano (ADRs). Com o desdobramento dos recibos e das ações, foi mantida a relação de duas ações para cada recibo.

Um dos principais objetivos deste desdobramento foi a elevação da liquidez destes ativos e da base de acionistas da Petrobras. Mesmo em ambiente de incerteza, a base acionária da companhia na Bovespa cresceu 80% no ano, passando de 190.952 acionistas em 2007 para 344.179 ao final de 2008. Adicionando os cotistas de fundos de investimentos em ações da Petrobras (443.209), os aplicadores de recursos com o FGTS (100.426) e os detentores de ADRs (cerca de 82 mil), o total de investidores em ativos mobiliários atrelados à companhia chegou a quase 1 milhão ao término do ano.

Em 2008, a companhia distribuiu dividendos brutos de R$ 1,5360 por ação ordinária ou preferencial, referentes ao exercício de 2007. No total, o volume financeiro alcançou R$ 6,7 bilhões