Plano de captação é bem-sucedido

O ano de 2008 apresentou elevada volatilidade nos mercados financeiros, em especial no segundo semestre, quando os efeitos da crise iniciada no mercado de crédito imobiliário dos Estados Unidos se alastraram para a economia mundial. Os reflexos da crise se intensificaram no setor financeiro e provocaram impactos na economia real. Isso reduziu drasticamente as oportunidades de acesso ao mercado de crédito, elevando os custos de novas operações.

Mesmo assim, a Petrobras foi bem-sucedida na implementação de seu plano de captação em 2008 e manteve, ao longo do ano, a estratégia de buscar oportunidades para acessar o mercado quando a volatilidade e o custo estavam em níveis mais baixos. No mercado internacional de capitais, a Petrobras International Finance Company (PIFCo), subsidiária integral da Petrobras, reabriu em janeiro de 2008 seu título com cupom de 5,875% e vencimento em março de 2018. O montante desta reabertura foi de US$ 750 milhões, e o retorno oferecido ao investidor atingiu 5,860% ao ano. Esta emissão foi considerada um sucesso, atingindo o menor custo histórico de uma companhia brasileira no mercado de dívida em dólares, sendo distribuída para mais de 60 investidores, a maioria dedicada ao mercado de renda fixa de empresas com grau de investimento.

A companhia captou R$ 400 milhões no mercado doméstico por meio de emissões privadas de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), adquiridos em sua totalidade por instituições financeiras. Estes recursos foram destinados a dois projetos: extensão do dique seco, no Rio Grande do Sul, para possibilitar a construção e reparo de mais plataformas, e construção da nova sede administrativa na cidade de Vitória. Mesmo diante de um mercado de capitais retraído, o custo destas captações revelou-se bastante atrativo, e o prazo de pagamento foi de até 15 anos. Para a conclusão do prédio em Vitória ainda serão necessários aproximadamente R$ 300 milhões, que a Petrobras pretende captar no mercado de capitais, a depender das condições apresentadas.

No mercado bancário, 2008 foi marcado pelo retorno consistente da Petrobras às captações no mercado doméstico, impulsionada pela restrição de crédito internacional e pelas flexibilizações nos limites do sistema bancário brasileiro para empréstimo à companhia. Foram contratadas operações em real, totalizando um valor correspondente a US$ 2,86 bilhões. No mercado bancário internacional foram contratadas linhas no valor de US$ 580 milhões. Em ambos os mercados, a tônica das contratações foi atender aos objetivos estratégicos da Petrobras e prover o caixa com os recursos necessários às atividades da companhia. A contratação desses recursos foi realizada com preços competitivos, levando-se em conta as alterações de mercado decorrentes da crise internacional.

Nos financiamentos pelas Agências de Crédito à Exportação (Export Credit Agencies – ECA), a Petrobras, por intermédio da PNBV, captou US$ 1,5 bilhão. Desse total, US$ 200 milhões foram financiados pelos bancos BNP Paribas (França), Sumitomo (Japão) e BBVA (Espanha), com seguro de crédito da Sace, agência italiana; cerca de US$ 800 milhões foram captados junto aos bancos japoneses Sumitomo, Mizuho e Tokyo Mitsubishi, com seguro de crédito da Nexi, agência japonesa; e US$ 500 milhões foram financiados pela EDC, agência canadense.

Para amparar os negócios da companhia, foram contratadas garantias bancárias, nos mercados doméstico e internacional, no montante de US$ 10,3 bilhões, valor 52,1% acima do verificado no ano anterior.

FINANCIAMENTOS ESTRUTURADOS

Na área de Gás e Energia, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou para o projeto Gasene (gasoduto de interligação Sudeste-Nordeste) US$ 750 milhões, referentes à operação de repasse do China Development Bank. Em fevereiro, os empréstimos-ponte até então contratados com o BNDES foram quitados com os recursos do financiamento de longo prazo contratado em dezembro de 2007 com o mesmo banco.

A Companhia Mexilhão do Brasil (CMB), sociedade de propósito específico (SPE), assinou com o BNDES um contrato de financiamento no valor de R$ 528 milhões, já desembolsados, destinado à construção da Plataforma de Mexilhão 1 (PMXL-1), a ser operada pela Petrobras. O financiamento terá vigência durante a fase de construção da plataforma, podendo ser substituído posteriormente por outro de longo prazo.

Em relação ao Projeto Urucu-Coari-Manaus, o BNDES desembolsou, ao longo de 2008, R$ 1,03 bilhão, referente à linha de financiamento de longo prazo no valor de R$ 2,49 bilhões contratada em dezembro de 2007.

Foram realizadas as etapas iniciais para a adequação financeira de alguns projetos, visando estruturar futuras captações de recursos ao longo do exercício de 2009. Entre os projetos trabalhados para esta finalidade, encontram-se o Projeto Belém, Projeto CBIO Itarumã, a Central de Utilidades do Comperj e o Porto de Suape.